Phaedra Almajid, ex-assessora de comunicação da candidatura do Catar à organização da Copa do Mundo de 2022, denunciou em entrevista à revista France Football tentativas de suborno a dirigentes africanos.
Almadjud relata na entrevista, a ser publicada na íntegra nesta terça-feira, que o dinheiro foi oferecido durante uma reunião num hotel de Luanda, capital de Angola, onde foi organizado em 2010 o congresso da Confederação Africana (CAF).
"Os catarianos ficaram encantados com a presença de um alto dirigente (do futebol africano), ao qual pretendiam fazer uma doação de um milhão de dólares", conta a assessora.
"Este dirigente respondeu, praticamente sem olhar para a cara do catariano: 'Um milhão de dólares? E porque não um milhão e meio?'. Nisso, o catariano disse a ele que esperava contar com seu apoio. A pessoa disse que sim e a conversa acabou", completa Almajid.
De acordo com a entrevistada, a mesma cena ocorreu com outros dirigentes do futebol africano, mas nenhum deles foi citado.
Almajid revela que resolveu abrir o jogo após seu anonimato ter sido comprometido pelo resumo feito por Hans-Joachim Eckert, presidente da Câmara de julgamento da comissão de ética da Fifa, do relatório Garcia, que investigou irregularidades na escolha da Rússia Catar para receber as Copas de 2018 e 2022.
Em novembro, Eckert tinha afirmado que as conclusões do relatório eram de "alcance muito limitado" e confirmou os dois países como sedes das próximas duas edições da competição.
Esta interpretação deixou inconformado o próprio Michael Garcia, autor da investigação, que denunciou "apresentações incompletas e equivocadas".
Assim como muitos dirigentes do futebol mundial, Garcia queria que o relatório fosse divulgado na íntegra, mas a Fifa alegou que isso não era possível porque poderia comprometer a confidencialidade de testemunhas.
Foi justamente isso que acabou acontecendo com Phaedra Almajid, uma das únicas citadas.
"Eckert e a Fifa não foram leais comigo. Ele me jogou aos leões ao me identificar no seu relatório", explica a assessora.
A Fifa acabou levando o caso à justiça suíça, alegando "suspeitas de transferência internacional de patrimônio", tendo o país "como ponto de contato".
Ex-assessora do Catar denuncia suborno de dirigentes africanos
Dinheiro foi oferecido durante congresso da Confederação Africana em 2010