Ex-presidente da CBF conhecerá sentença nesta quarta-feira em Nova Iorque

Ex-presidente da CBF conhecerá sentença nesta quarta-feira em Nova Iorque

Marin responde em liberdade pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraude bancária e subornos

AFP

Ex-presidente da CBF conhecerá sentença nesta quarta-feira em Nova Iorque

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O ex-presidente da CBF José Maria Marin, de 86 anos, o primeiro dirigente do futebol mundial condenado e detido nos Estados Unidos por corrupção, ouvirá a sentença nesta quarta-feira em Nova Iorque, nos Estados Unidos. A Promotoria, que o acusou de receber 6,55 milhões de dólares em subornos das empresas Torneos y Competencias, Full Play e Traffic em troca da concessão de contratos para a transmissão por TV e marketing de competições como a Copa América e a Libertadores, solicitou uma pena de 10 anos de prisão e o pagamento de multa de 6,6 milhões de dólares.

A defesa deseja uma pena de 13 meses de prisão, em consequência de sua idade avançada e do frágil estado de saúde de Marin. A juíza Pamela Chen, da corte federal do Brooklyn, decidirá e anunciará a pena de prisão nesta quarta-feira às 10h30min locais (11h30min de Brasília). Marin foi um dos dirigentes da Fifa detidos no dia 27 de maio de 2015 em um hotel de luxo de Zurique pela polícia da Suíça, a pedido da justiça dos Estados Unidos.

Depois de passar cinco meses em uma prisão suíça e ser extraditado aos Estados Unidos, pagou uma fiança de 15 milhões de dólares e passou dois anos em prisão domiciliar, em seu apartamento na luxuosa Trump Tower na Quinta Avenida de Nova Iorque, de onde saía apenas duas vezes por semana para assistir a missa. Marin foi preso imediatamente em Nova Iorque após sua condenação, anunciada em 22 de dezembro de 2017.

Após sete semanas de julgamento no tribunal do Brooklyn, um júri popular o considerou culpado de seis das sete acusações de associação criminosa, lavagem de dinheiro e fraude bancária por aceitar subornos ligadas a contratos da Copa Libertadores e da Copa América.

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Durante o julgamento, a defensa o apresentou como um idoso sem ponderes, a quem a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) caiu no colo de surpresa em 2012, para preencher o espaço deixado pela inesperada renúncia do até então poderoso Ricardo Teixeira. E insistiu que, embora Marin fosse o presidente, não fazia nada sem Marco Polo Del Nero, com quem compartilhava os subornos.

Durante um jantar em 2014, Marin foi gravado falando sobre propinas por José Hawilla, empresário também acusado que colaborava com a justiça americana e que faleceu em maio deste ano. No escândalo conhecido como Fifagate, a justiça americana acusou 42 pessoas e empresas de 92 crimes e de aceitação de mais de 200 milhões de dólares em subornos.

Dos 42 acusados, três já morreram. Vinte e dois se declararam culpados e dois já foram sentenciados. Quatorze permanecem em seus países, como Teixeira e Del Nero, este último banido pela Fifa de atividades relacionadas ao futebol. Del Nero nunca foi detido ou acusado no Brasil. Com medo de um eventual pedido de prisão da justiça americana, não viaja para fora do país.

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