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Ex-treinador Dorival Knipel, o ‘Homão’, ganha biografia escrita por jornalista gaúcho

José Luís Costa mergulhou na vida do personagem futebolístico, que ficou famoso na década de 1970 no Brasil pelo temperamento explosivo nas partidas

Dorival Knipel comandou Flamengo e Vasco na década de 1970
Dorival Knipel comandou Flamengo e Vasco na década de 1970 Foto : Acervo da Família/CP

Uma das figuras mais contraditórias da história do futebol brasileiro agora tem sua história registrada em uma biografia. "Homão", obra de José Luís Costa, narra a trajetória de Dorival Knippel, ex-técnico do Flamengo e Vasco que ficou famoso pelo seu temperamento explosivo nos jogos. Além disso, Yustrich, como também era conhecido, marcou época no futebol nacional por introduzir um estilo de jogo aguerrido, ou seja, de não aceitar a derrota passivamente.

"Ele brigava em todos os jogos, porque sempre caía nas provocações dos adversários. Depois, tornou-se técnico e seu comportamento seguiu do mesmo modo. Acredito que é a figura mais violenta do futebol Brasileiro de todos os tempos. Disciplinador ao extremo, exigia dos clubes tratamento vip para os jogadores, como bom alojamento, fardamento novo, comida boa, se o clube não comprasse novos utensílios, ele mesmo tirava o dinheiro do bolso", conta José Luís.

O temperamento explosivo refletia também nos treinamentos. Assim, os jogadores eram sempre muito cobrados para se dedicarem 100% ao futebol e, quem não obedecia, sofria castigos severos como tapas e socos. Nem mesmo os dirigentes e árbitros se salvavam da irritação de Homão, que teve por três vezes um revólver apontado para o seu rosto. Em uma delas levou quatro tiros, mas todos de raspão.

"Em 1970, quando treinava o Flamengo, fez duras críticas ao técnico da Seleção Brasileira João Saldanha. Indignado, Saldanha foi armado para dar um tiro em Yustrich, na concentração do Flamengo, mas não o encontrou. Por causa disso, Saldanha perdeu o cargo, assumindo Zagallo, que acabou tricampeão no México", relata o autor.

Pesquisa e importância para o futebol brasileiro

O interesse de José Luís Costa por Dorival Knippel começou logo na infância, quando ouvia as polêmicas envolvendo seu nome nos rádios ao lado do pai na década de 1970. "Aquilo me assustava e ficou na minha memória por 50 anos", recorda. Assim, em 2021, durante a pandemia, José Luís teve a iniciativa de escrever a biografia.

Foram quatro anos de pesquisa, buscando em acervos de jornais, revistas, internet, com o auxílio de amigos e familiares de Homão. "Fui atrás de inimigos, ex-jogadores, treinadores, preparadores físicos, massagistas e cronistas, enfim, gente que o conheceu. Foram cerca de 150 entrevistas por telefone e algumas pessoalmente no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte", conta José.

Segundo ele, Dorival Knippel, quando esteve à frente do Flamengo, foi o responsável pelo time jogar com mais garra. Até então, o futebol carioca se notabilizava por ser mais técnico e utilizar menos força. Em Portugal, quando treinou o Porto criou concentração, determinou exames médicos aos atletas e fez o clube adotar o distintivo na camisa.

"Yustrich é, ao mesmo o tempo, símbolo de bons e maus e exemplos. Um figura contraditória. Ele é lembrado como grande disciplinador, que fazia seus times lutarem pela vitória até o último minuto. De outra parte, seus métodos autoritários e violentos, estão ultrapassados”, conclui José Luís.

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