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Fãs prestam homenagens a Muhammed Ali

Boxeador faleceu nesta sexta-feira, aos 74 anos

Fãs prestam homenagens a Muhammad Ali
Fãs prestam homenagens a Muhammad Ali Foto : Nelson Almeida / AFP / CP
A morte do boxeador Muhammed Ali foi lamentada por presidentes, políticos, empresários, ativistas sociais e pessoas humildes, uma prova do impacto provocado por "The Greatest", como ele mesmo se definiu durante carreira, uma designação que se provou verdadeira com suas ações. "Muhammed Ali era o Maior. Ponto final", sentenciou o presidente americano Barack Obama, em vibrante homenagem.

Aos poucos, as ruas ao redor do Scottsdale Healthcare Osborn Medical Center começaram a receber fãs, após o anúncio da morte do grande campeão dos pesos pesados. Como em uma noite de combate, as pessoas se aproximaram do hospital para aplaudir e recordar o legado de Ali.

O mesmo aconteceu na sua cidade natal de Louisville, no Kentucky, onde uma cerimônia em sua homenagem foi organizada pelo prefeito Greg Fisher, que saudou "um homem de ação e de princípios".

Não ao Vietnã

O mesmo Ali que deslumbrou o mundo com seu boxe não convencional para época, suas bravatas e declarações fortes para aumentar a venda de ingressos de suas lutas, foi o homem que se negou a combater na guerra do Vietnã, "para não matar semelhantes", e se tornou um pacifista e ativista dos direitos civis. Ali brigou nos tribunais e no Congresso americano para aprovar em 1999 a "Lei de Reforma do Boxe Muhammad Ali", que protege os direitos e o bem-estar dos pugilistas.

Suas ações dentro e fora dos ringues resultaram nas bolsas milionárias desfrutadas atualmente por muitos pugilistas com menos talento. Floyd Mayweather, o boxeador que ganhou mais dinheiro na história do boxe, afirmou que suas grandes bolsas foram possíveis apenas porque "Ali abriu o caminho".

Cassius Clay

Nascido com o nome de Cassius Marcellus Clay Jr. em 17 de janeiro de 1942 em Louisville, Kentuck, mudou de nome para Muhammad Ali após a conversão ao islã em 1964, no calor do movimento dos direitos civis. Seu nome original começou a ficar famoso quando conquistou o ouro olímpico em Roma-1960. Ele iniciou a carreira profissional no mesmo ano, tornando-se campeão mundial da AMB em 1964, ao derrotar Sonny Liston por nocaute no 7° round.

Ali sofreu com os preconceitos raciais e a discriminação. Talvez por este motivo tenha abraçado o boxe e aos 12 anos descobriu seu talento para o esporte, após uma pegadinha do destino, quando sua bicicleta foi roubada. Ali fez a denúncia do roubo e o policial que o atendeu, Joe Martin, o convenceu de que ele deveria aprender a se defender, virando seu primeiro treinador no ginásio Columbia de Louisville. Assim teve início a lenda.

O mestre indiscutível dos pesos pesados, considerado "o maior de todos", provocou uma grande polêmica alguns anos depois nos Estados Unidos, em 1967, quando se recusou a cumprir o serviço militar e combater na guerra do Vietnã, alegando convicções religiosas. Ele foi detido e destituído do título mundial, além de ter sido proibido de praticar boxe profissionalmente por três anos e meio. No retorno aos ringues, Ali enfrentou Joe Frazier no Madison Square Garden.

A carreira profissional de Ali terminou com uma derrota por pontos para Trevor Berbick, no dia 11 de dezembro de 1981, no Queen Elizabeth Sports Centre de Nassau. Mas nada abalou a lenda. Apenas um homem?"Ali era um homem do povo. Um lutador pelo povo. Adoro Muhammad Ali, foi um amigo de toda a vida. Nunca vai morrer. Seu espírito seguirá para sempre", afirmou Don King, o promotor de suas maiores lutas, como as já citadas "Thrilla in Manila", o terceiro combate com Joe Frazier, ou "Rumble in the Jungle" contra George Foreman.

Em 1984 Ali anunciou ao mundo que tinha o Mal de Parkinson. "(Deus) me deu a doença de Parkinson para mostrar que eu era um homem como os demais, que tinha fragilidades como todo mundo. É tudo o que sou: um homem", disse em uma entrevista em 1987.

Em 1996, Ali emocionou o mundo ao acender a pira olímpica dos Jogos de Atlanta, já tremendo por causa do Mal de Parkinson. O famoso promotor e presidente da empresa Top Rank, Bob Arum, que começou a carreira no boxe com a organização em 1972 da luta entre Ali e George Chuvalo, o descreveu como algo bem maior.