Os 26 membros do Conselho Mundial, presididos pelo inglês Graham Stoker, presidente da divisão de esportes da FIA, ouvirão dos advogados: "Felipe Massa recebeu uma informação, não uma ordem. A informação: Felipe, Fernando Alonso está mais rápido do que você." Era a 49.ª volta de um total de 67 da prova em Hockenheim, 11.º do calendário de 19 etapas.
A segunda parte do argumento: "Felipe deixou, sim, Alonso ultrapassá-lo. Mas não para atender a uma ordem, e sim porque sabe que o interesse da Ferrari está acima do de seus pilotos", dirão os advogados. Dessa forma, complementarão: "Massa espontaneamente permitiu a ultrapassagem, pois esse é um princípio defendido pelo fundador da equipe, Enzo Anselmo Ferrari, faz parte do DNA da escuderia de Maranello".
E poderão lembrar o Conselho da FIA, ainda, de que na mesma pista, em 2008, Heikki Kovalainen abriu caminho para seu companheiro de McLaren, Lewis Hamilton, ultrapassá-lo, e a exemplo de Alonso, este ano, melhor colocado no campeonato, o inglês venceu a competição, vindo a ser campeão do mundo naquela temporada.
Massa e Alonso não vão a Paris. Mas devem estar disponíveis para responder a perguntas pelo sistema de viva-voz por telefone caso o conselho pretenda ouvi-los. Já vão estar na Itália, onde no próximo fim de semana será disputada, em Monza, casa da Ferrari, a 14.ª etapa do Mundial. Alonso necessita de um grande resultado para manter-se na luta pelo título.
A defesa da Ferrari vai expor ainda seu ponto de vista sobre ordem de equipe, "não cometida no GP da Alemanha". Domenicali dirá aos membros do Conselho que a Fórmula 1 é um esporte de equipe e proibir a equipe de obter os melhores resultados no campeonato não faz sentido. Sua tese: "Fernando Alonso e Felipe Massa não se inscreveram no Campeonato Mundial de Pilotos e Construtores de Fórmula 1 por conta própria e depois foram procurar a Ferrari, mas a Ferrari os escolheu para lutar pela conquista dos títulos no Mundial de Pilotos e Construtores". E, a partir daí, proibi-los de trabalhar pelo resultado mais conveniente para a equipe é negá-la um direito básico e elementar.