Esportes

Fifa estuda acabar com "intermediários" do futebol

Entidade pode anunciar medidas globais para reduzir fatiamento dos direitos econômicos de atletas

A Fifa estuda como controlar ou até mesmo acabar de vez com a participação de investidores em jogadores de futebol. A ideia é que os clubes sejam os "donos" dos atletas, que não teriam mais os direitos econômicos “fatiados”. O comitê executivo da entidade poderá anunciar mudanças na regra ainda nesta sexta-feira, em Zurique.

Em conversa com o jornal, o presidente da Uefa, Michel Platini, afirmou que a meta é banir as "terceiras partes" do futebol em escala mundial. Já o presidente eleito da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, defende uma regulamentação da prática a curto prazo.

Segundo a imprensa inglesa, a entidade europeia tem sido pressionado por clubes da Premier League, insatisfeitos em dividir os direitos econômicos dos principais jogadores com investidores. Um destes exemplos é o português Jorge Mendes, acusado pela mídia britânica de usar empresas em paraísos fiscais para comprar jogadores como Di María (Manchester United) e Diego Costa (Chelsea).

Preocupada com a influência dos intermediários no mundo da bola, a Fifa já havia criado uma comissão para debater o assunto. Entre as propostas que surgiram estão a de limite de número de atletas por empresa investidora, e limite de percentual do investidor nos direitos de cada jogador.

"Medida pode ser positiva a longo prazo"

"A curto prazo a medida é forte e afetará a capacidade de contratação dos clubes que disputam as divisões principais do Brasileiro", avaliou o especialista em direito desportivo, Eduardo Carlezzo. "Aos clubes menores, que disputam regionais, afeta pouco, já que a grande concorrência para contratações e a necessidade de altas somas estão consolidadas nas Séries A e B", comentou.

"No longo prazo, caso os clubes saibam se adaptar, a medida pode ser positiva, pois eles podem voltar a ser proprietários de 100% dos direitos", considerou o advogado. "Quando houve o fim do passe em 1998, falava-se que os clubes fechariam. Não fecharam. Pegando o exemplo daquele ano, foi estipulado um prazo de três anos para que o mesmo entrasse totalmente em vigência. Assim, penso que, na questão dos direitos econômicos, poderia se estipular o mesmo período", analisou Carlezzo.

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