A massa rubro-negra dedicou o segundo tempo a vaiar metade da equipe, com especial atenção a Ronaldinho, hostilizado com xingamentos. O técnico Joel Santana também mereceu apupos, por ter escalado um time com três zagueiros e sacado Deivid do ataque. Nem mesmo o fato de o triunfo ter levado o Flamengo à liderança do Grupo 2, com 4 pontos, um mais que os equatorianos e o Olímpia, próximo adversário, no dia 15, no mesmo Engenhão, apaziguou o ânimo exaltado das arquibancadas.
"Jogamos bem. Acho que essas vaias são injustas", disse David Braz. "Hoje foi um jogo de um gol só, mas o importante foram os três pontos", destacou Vágner Love, o herói de uma noite sofrida, com o seu quinto gol em seis jogos pelo clube, em lampejo de Ronaldinho.
A realidade é que os jogadores brasileiros entraram em campo com o coração na boca. Podia-se sentir a tensão no ar. O esquema com três zagueiros tinha pouco efeito prático. Ficou ainda pior quando Leonardo Moura saiu aos 28 minutos com lesão na coxa direita. O inofensivo Negueba entrou em seu lugar, sob os gritos de burro para Joel Santana.
No desfigurado meio de campo, a jovem dupla Muralha, 19 anos, e Luiz Antônio, de 20, se destacou. Foram dois leões e mostraram frieza de veteranos. A moral de Ronaldinho Gaúcho está tão em baixa com a torcida que quando houve uma falta próxima a área, o coro foi por Bottinelli. O craque brasileiro cobrou com perigo.
O desenvolvimento positivo para o time da casa foi a expulsão de Pavon no fim da primeira etapa, por cotovelada em Welinton. Joel Santana, então, sacou o zagueiro Welinton e lançou Deivid. Logo no começo da segunda etapa, com mais espaço, surgiram Vágner Love e Ronaldinho. Eles tabelaram na área e a bola foi para as redes. Apesar da assistência, os torcedores seguiam na bronca com o meia. Quando o craque tentou um passe com o ombro e outro com o calcanhar e errou, vaias e xingamentos para o camisa 10. Uma pequena parte das arquibancadas tentava contra-atacar com incentivo.