Ambos nadadores do Grêmio Náutico União (GNU), Graciele Hermann compete na prova dos 50m livre e do revezamento 4x100 m livre, enquanto Samuel de Bona encara as provas de meia maratona e maratona de revezamento. O primeiro a encarar os desafios em águas espanholas é Samuel. No próximo sábado, ele disputa um lugar entre os melhores em uma prova de resistência, como a meia maratona, que tem cinco quilômetros.
Além da distância em si, há outros desafios no meio do caminho. "Ih, já tomei cotovelada, já perdi óculos, já perdi lente de contato. Tem que estar preparado para as surpresas", conta. Em uma prova que pode contar com até 60 atletas, a meta do gaúcho é conseguir um lugar entre os dez primeiros. O nadador já sabe, por exemplo, que o mar de Barcelona deve estar com uma temperatura na casa dos 20ºC. Fica agora na torcida que esteja ondulado, o que favorece o estilo de quem está mais acostumado a nadar no mar.
"O mar de Barcelona tende a nivelar mais a prova. O objetivo é não desgarrar do grupo que estiver na frente", revela. A briga de Graciele por uma medalha começa um pouco depois. Só no dia 28 a atleta inicia sua participação, pelo revezamento feminino do 4x100 m livre.
As maiores esperanças da nadadora, no entanto, estão todas depositadas no penúltimo dia do Mundial, quando ela tenta um lugar entre as melhores do mundo nos 50m livre. "A expectativa é das melhores", adianta Graciele. E com bons motivos. Em abril, a atleta do GNU chegou à melhor marca da sua carreira no Troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro, cravando o tempo de 25s10.
O objetivo agora é mais ousado: "Quero ver se chego à casa dos 24s, vamos ver", diz Graciele Treinamento é o que não falta. Nas últimas semanas, ela pode ser vista nas águas da piscina do GNU três horas por dia, fora o trabalho de uma hora e meia na musculação. Ela calcula que pode chegar às semifinais. A partir daí, a previsão é de que o tempo para ir à grande decisão deva ser no mínimo de 24s50. Ficará faltando então tempo para conhecer uma das mais belas cidades da Europa. "Já estive em Barcelona competindo, mas não dá tempo de conhecer nada", brinca.
De olho nos concorrentes
Nem poderia ser de outra forma em uma competição que reúne a nata da natação mundial. Para alcançar um lugar no pódio em Barcelona, os dois atletas do Grêmio Náutico União devem ter uma concorrência das mais complicadas.
Samuel de Bona explica que o tempo nas provas de maratonas aquáticas varia muito. 'Já disputei tanto etapas com 50 minutos, como outras de 1h20min', revela. Portanto, a atenção deve ser dada para aqueles atletas que vêm se destacando nos últimos meses conquistando provas. Sendo assim, é bom ficar de olho nos três medalhistas olímpicos de Londres, no ano passado: o tunisiano Oussama Mellouli (ouro), o alemão Thomas Lurz (prata) e o canadense Richard Weinberger (bronze). Este ano, o italiano Simone Ercoli já conquistou duas das quatro etapas da Copa do Mundo - as outras foram vencidas pelo italiano Simone Ruffini e o argentino Luciano Sales Rubio.
No caso da concorrência de Graciele, o tempo é sim o melhor parâmetro a ser levado em conta. E os cronômetros apontam a australiana Cate Campbell como a grande favorita na prova dos 50 m livre. É dela a melhor marca nos últimos 12 meses: 24s27. Também estão bem cotadas a holandesa Ranomi Kromowidjojo (24s30), ouro em Londres, assim como a alemã Dorothea Brandt (24s51) e a bielo-russa Aleksandra Herasimenya, prata na Olimpíada do ano passado.