Esportes

Gestão do COB atrapalhou preparação do Time Brasil para Paris-2024, diz candidato da oposição

Segundo ele, a gestão atual se excedeu na centralização na tomada de decisões dentro do COB, investiu pouco na base e enfrentou dificuldades no relacionamento com os atletas

Após recordes e euforia na Olimpíada de Tóquio, em 2021, o Time Brasil não atendeu às expectativas de novas marcas históricas em Paris-2024. Para Marco Antonio La Porta, candidato de oposição à presidência do Comitê Olímpico do Brasil (COB), a responsabilidade pelos resultados abaixo do esperado deve recair sobre a gestão de Paulo Wanderley, que teria falhado no planejamento para o último ciclo olímpico.

Em entrevista ao Estadão, o candidato da chapa de oposição na eleição marcada para quinta-feira, dia 3, o atual presidente fez uma gestão “acomodada” após os resultados em Tóquio. Além disso, na avaliação de La Porta, Paulo Wanderley afetou o planejamento do Time Brasil ao demitir Jorge Bichara, então diretor de alto rendimento e um dos profissionais mais elogiados pelos atletas, no meio do ciclo.

O candidato à presidência e sua vice, a ex-atleta Yane Marques, que também participou do bate-papo com a reportagem, avaliam que a gestão atual se excedeu na centralização na tomada de decisões dentro do COB, investiu pouco na base e enfrentou dificuldades no relacionamento com os atletas.

Não por acaso a candidatura de oposição diz ter como trunfo os votos dos atletas (19), que correspondem à metade do colégio eleitoral da Assembleia que comandará a eleição, no Rio de Janeiro. Votam também os 34 presidentes de confederações olímpicas de verão e de inverno filiadas ao COB e os dois membros brasileiros do Comitê Olímpico Internacional (COI).

A eleição deste ano, que definirá o presidente até o fim do ciclo olímpico dos Jogos de Los Angeles-2028, terá apenas duas chapas. A disputa eleitoral vem sendo marcada pela contestação da candidatura de Paulo Wanderley. Grupos de atletas alegam que o presidente infringe a Lei do Esporte, a Lei Pelé e o próprio Estatuto do COB, que vetam o exercício de um terceiro mandato na presidência.

O atual presidente assumiu o cargo em outubro de 2017 assim que Carlos Arthur Nuzman renunciou à presidência na esteira das investigações de corrupção - Nuzman chegou a ser preso. Vice, Paulo Wanderley assumiu e se reelegeu em 2020. Uma nova eleição, portanto, caracterizaria uma segunda reeleição.

Questionados pelo Estadão, tanto La Porta quanto Yane garantiram que não vão acionar a Justiça para derrubar a candidatura da chapa de situação. Mas admitiram incômodo com a situação, por julgarem que Paulo Wanderley não deveria se candidatar. La Porta foi vice-presidente da atual gestão do COB no último ciclo, até o início deste ano, quando deixou o cargo para poder se candidatar à presidência. Sua vice foi medalhista olímpica no pentatlo moderno em Londres-2012.

Yane ocupou a presidência da Comissão de Atletas de 2020 até o início de 2024 - também saiu para poder integrar a chapa de oposição.