Márcia Guimarães teve dificuldades para retirar da escola municipal Deogar Soares um dos símbolos do projeto Paz no Futebol: o troféu de campeão da fase municipal do Bom de Bola. Conquistada pelo time feminino, a taça é vigiada de perto pelas atletas. Afinal, leva o nome de Giovani Guimarães, idealizador da iniciativa que já resgatou mais de 50 alunos em situação de risco. "Disse que só ia levar em uma entrevista", contou Márcia.
Irmã do preparador de goleiros xavante, a professora de Educação Física até pensou em desistir, mas optou por, mesmo em meio à dor, manter vivo o projeto criado em 2007. "Foi em forma de homenagem a ele", disse ela.
O legado do professor, que era fanático pela banda TNT e tinha o Brasil-Pe no coração, não para por aí. Ele já tinha um livro publicado e outro em fase de conclusão. Meses antes do acidente, havia sido aprovado no mestrado e, meses depois, foi nomeado em um concurso. Tudo, é claro, relacionado ao futebol. "Era a vida dele", lembrou a esposa Zilmara.
Só a esposa e a filha de 3 anos, ao lado dos outros familiares, eram paixões maiores que o futebol. A filha, aliás, já mostra que embora o tempo tenha sido curto, a convivência com o pai foi intensa. "Ela gosta bastante e vai muito bem nos esportes", afirmou Zilmara, que encontrou no legado de Giovani a força para suportar a dor de todos os dias.
Giovani Guimarães deixa legado em Pelotas
Preparador de goleiros foi uma das vítimas da tragédia com delegação do Brasil-Pe em 2009