A classificação do Boca tem a cara do técnico Carlos Bianchi, que soube armar uma equipe marcadora, mas competitiva. Experiente e multicampeão, o treinador nunca perdeu um mata-mata de Libertadores para times brasileiros. Primeiro, Bianchi venceu o São Paulo na decisão de 1994, quando comandava o Vélez Sarsfield. Com o Boca Juniors, eliminou Palmeiras (2000 e 2001), Vasco (2001), Paysandu (2003) e Santos (2003).
Quem esperava por um Boca Juniors catimbeiro e cometendo bastante faltas ficou surpreso com a postura da equipe. A cera, no entanto, foi uma das armas dos jogadores, principalmente do goleiro Orión, que recebeu cartão amarelo ainda na metade do primeiro tempo após demorar para cobrar tiro de meta. Antes de o Boca abrir o placar, contudo, o árbitro Carlos Amarilla deixou de marcar um pênalti e depois anulou mal o gol de Romarinho ao marcar impedimento do atacante.
Tudo isso foi apagado, contudo, por um lance de craque de Riquelme. Aos 24 minutos do primeiro tempo ele deu o golpe que viria a ser fatal para os corintianos. Depois de cobrar falta curta na meia direita, o argentino recebeu na tabela e disparou um lindo chute por cobertura. O goleiro Cássio, que esperava pelo cruzamento, nada pôde fazer com a bola que voou sobre a área e caiu rapidamente no ângulo esquerdo.
Com o placar adverso e precisando fazer no mínimo três gols para classificar, o Timão não conseguia ficar com a bola. Experiente, o Boca se fechou e deixava apenas os perigosos Riquelme e Blandí avançados. Em um contra-ataque aos 32, Blandí recebeu na direita e chutou firme cruzado. Cássio fez boa defesa e mandou para escanteio.
Na volta do intervalo, Alexandre Pato e Edenílson entraram nas vagas de Romarinho e Alessandro, respectivamente. A Fiel, que lotou o Pacaembu, acreditava na classificação e empurrava o Corinthians. Sem nada a perder, o Timão conseguiu achar o gol logo aos 5 minutos, com Paulinho, que cabeceou após cruzamento de Sheik pela direita. No lance seguinte, Paolo Guerrero perdeu a chance de fazer o segundo do Corinthians e incendiar de vez a torcida.
O Boca deu a resposta aos 12, quando Blandí perdeu uma oportunidade incrível, com o gol vazio. O atacante chutou por cima depois da rebatida de Cássio no chute de Riquelme. Mas o grito de gol que ficou engasgado na boca da Fiel saiu aos 15 minutos. No entanto, o árbitro anulou corretamente o gol de Paulinho, que cometeu falta em Orión na pequena área.
O Corinthians continuou em cima do Boca, que sentiu claramente a pressão. No entanto, não conseguia converter o volume de jogo nos gols que faltavam para a classificação. Aos 30, muitos torcedores no Pacaembu até comemoraram. Mas antes da hora. Alexandre Pato perdeu uma chance tão inacreditável quanto à de Blandí. O zagueiro Gil deu um balão para a área, Guerrero escorou de cabeça e a bola sobrou para o camisa 7, que, livre e sem goleiro, se atrapalhou e chutou para fora.
Nos minutos finais, o Timão continuou pressionando, mas faltava criatividade. O Corinthians chegava apenas na base do "chuveirinho", e a defesa do Boca ganhava praticamente todas as jogadas pelo alto. A reação da Fiel foi bonita no apito final: os torcedores cantaram o hino alvinegro e incentivaram por longos minutos.