"O relegado e o ídolo", por Hiltor Mombach
Os dois prosseguem a busca pelas primeiras posições do Campeoanto Brasileiro na próxima semana. Quinta-feira, no Rio, o Grêmio encara o Fluminense, no Engenhão. Já o Inter, sábado, recebe o Santos, no Beira-Rio.
No detalhe, Grêmio leva a melhor no primeiro tempo
A partida começou no melhor espírito Gre-Nal. Em poucos segundos, carrinhos já haviam sido distribuídos pelo gramado. E, fora de casa, o Inter começou melhor. Diante de mais de 40 mil torcedores vestindo azul, preto e branco, o time colorado impôs seu futebol nos minutos iniciais. Porém, os chutes foram disparados apenas da intermediária, sem complicar a vida do goleiro Victor.Mas o Grêmio, dono da melhor campanha do segundo turno, não iria permitir que o rival dominasse o jogo em seu território. Aos poucos, a equipe comandada por Renato Portaluppi equilibrou o clássico mais disputado do Brasil, mas, igualmente ao co-irmão, não chegou com força.
O primeiro “Uh” foi gritado pela torcida tricolor apenas aos 17 minutos, quando Douglas chutou por cima, após boa tabela no ataque gremista. Jonas, sempre vigiado por Glaydson, escapou da marcação e rolou para o camisa 10, que não conseguiu aproveitar. Do outro lado, Victor apareceu, aos 32, quando Guiñazu chutou de fora da área, testando os reflexos do arqueiro.
Parelho e disputado, como todo Gre-Nal, o clássico 383 dava pinta de que seria decidido no detalhe. E esse detalhe foram os poucos centímetros de vantagem obtida por André Lima sobre a marcação para cabecear aos 36, após cobrança de falta de Douglas: 1 a 0 e explosão no estádio Olímpico. Até o apito final do primeiro tempo, o Olímpico quase foi à êxtase em mais oportunidades, em uma pressão quase insuportável.
Tricolor desperdiça chances e paga o preço
Para piorar a situação colorada, a etapa final começou tal qual terminou a primeira. Pressão gremista, que se iniciou logo no primeiro minuto, quando Douglas, livre, chutou por cima do gol de Renan outra vez. Serviu de prenúncio. Lúcio e Jonas também tiveram suas oportunidades e desperdiçaram.Só depois de passado um terço do segundo tempo que o Inter começou a respirar e, finalmente, chegar no campo de ataque. Aos 17, D'Alessandro exigiu duas grandes defesas de Victor, que provou ser apto para vestir a camisa 1 da Seleção. Mas o abafa colorado deu resultado. No cruzamento, Índio cabeceou forte tentando marcar mais um gol em Gre-Nal. A conclusão venceu Victor e estava quase entrando, quando Fábio Rochemback botou a mão na bola para defender: pênalti e cartão vermelho para o volante do Grêmio. Na cobrança, aos 20 minutos, Alecsandro encheu o pé para deixar tudo igual.
Minutos finais de tirar o fôlego
Com um a menos em campo, o Grêmio fez valer a sua tradicional raça e não se entregou ao co-irmão, jogando um banho de água fria quatro minutos após o gol colorado. O lateral Fábio Santos – o único que recebeu vaias quando teve o nome anunciado – recebeu na área, avançou e fuzilou Renan: 2 a 1.
Sem nada mais a perder, o Inter se jogou à frente. Mas os toques demasiados no campo de ataque, diante de um verdadeiro ferrolho formado pela defesa gremista, davam a impressão que o empate não viria, ainda mais com o tempo passando e o nervosismo crescendo.
E talvez o clássico 383 até terminasse com o Grêmio vitorioso se o camisa 10 colorado não se chamasse D'Alessandro. Aos 38, ele recebeu na meia-lua, girou e acertou o exato espaço entre a mão de Victor e a trave esquerda. Gol, empate. Pela quarta vez em sua história em Gre-Nais, o meia argentino vazou o rival.
Diante de um Grêmio cansado fisicamente, o Inter ainda buscou o terceiro, contudo a bola não entrou novamente, porque, aguerridos, os zagueiros azuis não se entregaram diante dos insistentes atacantes vermelhos. Ninguém se entregou, como em todo bom Gre-Nal.
Brasileirão 2010 – 31ª rodada
GRÊMIO 2
Victor; Gabriel, Paulão, Rafael Marques e Fábio Santos; Vilson, Fábio Rochemback, Lúcio e Douglas (Gilson); Jonas (Diego) e André Lima (Adilson). Técnico: Renato Portaluppi.
INTER 2
Renan; Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Glaydson (Rafael Sobis), Wilson Matias (Leandro Damião), Guiñazu, Giuliano (Andrezinho) e D'Alessandro; Alecsandro. Técnico: Celso Roth.
Gols: André Lima (36/1º); Alecsandro (20/2º); Fábio Santos (24/2º); D'Alessandro (38/2º);
Cartões amarelos: Adilson (G); Guiñazu (I);
Expulsão: Fábio Rochemback (G);
Arbitragem: Carlos Simon, auxiliado por Roberto Braatz e Altemir Haussman
Local: estádio Olímpico