para contarem com policiais militares (PMs) nos estádios de futebol. A proposta, sugerida em encontro entre representantes dos clubes, da Brigada Militar (BM) e da Segurança Pública do Estado, tem, no entanto, o apoio do Ministério Público.
"Nós do Ministério Público acompanhamos este assunto com preocupação. Existe o entendimento de que a realização dos jogos não será possível sem a presença da BM. A corporação tem sido a nossa parceira na busca pela paz nos estádios e se há esta ideia de compensação financeira, nós apoiamos esta iniciativa", disse o promotor José Francisco Seabra Júnior em entrevista à Rádio Guaíba.
O promotor destacou que o Estatuto do Torcedor é claro quando afirma que a segurança dos estádios é responsabilidade do mandante do jogo. "O clube até pode solicitar segurança pública no local da partida e nos arredores. A lei é clara. Acredito que a nossa sociedade não está madura para realizar jogos sem a presença policial", explicou.
Inter e Grêmio contra
Para o presidente do Inter, Giovanni Luigi, presente na reunião de ontem, a proposta da BM é no mínimo questionável. "A nossa posição é de que a BM é quem deve realizar este trabalho de segurança no futebol. Existe uma questão constitucional que não permite a existência de compensação financeira para a realização de segurança. A atuação dos policiais militares sempre foi sem cobrança e nós entendemos que tem de permanecer assim", disse.
Luigi acredita que o assunto deve ser administrado com tranquilidade pelos envolvidos e projeta uma evolução nas próximas reuniões. "Vamos trocar ideias sobre isso e procurar a solução, mas os clubes entendem que não há espaço para a cobrança, até porque seria uma medida antipática junto aos torcedores. Isto afastaria o público dos estádios por conta de um ingresso mais caro", acrescentou.
Integrante do Conselho Administrativo do Grêmio, Nestor Hein, ampliou o discurso de Luigi ao relatar que os clubes seriam obrigados a cobrar um ingresso ainda mais caro. "Os clubes de Porto Alegre fizaram investimentos vigorosos em seus estádios e precisam pagar estas contas. Se incluirmos mais esta conta no bilhete, nós vamos afastar o público dos estádios. Isto não seria saudável para o futebol, principalmente quando a nossa ideia é trazer pessoas menos favorecidas para o convívio do futebol e das novas arenas", explicou.
Segundo Hein, uma nova reunião deve ser realizada em setembro. O assunto ainda deve ser levado ao Conselho Deliberativo do Grêmio. "As autoridades ficaram até de repassar uma planilha com os custos, mas isso ainda vai demorar um pouco porque temos eleições e queremos levar tudo isto para os nossos conselheiros", frisou.