Grêmio

A nova missão do herói de Tóquio

Renato volta ao Grêmio para fazer o clube reencontrar sua identidade

Mesmo quando veio ao Olímpico como adversário, Renato sempre foi ovacionado
Mesmo quando veio ao Olímpico como adversário, Renato sempre foi ovacionado Foto : Roberto Vinícius / CP Memória
Depois de 19 anos da sua última passagem pelo Grêmio, em 1991, Renato Portaluppi está de volta ao estádio Olímpico. Desta vez, no entanto, ele não entrará em campo com a camisa 7 para fazer os gols que o tornaram o maior ídolo, em mais de um século de história do clube azul, preto e branco.

Agora, sua missão como treinador será tirar o time da crise instaurada desde o término do recesso para a Copa do Mundo, quando o Grêmio não venceu nenhuma das sete partidas disputadas – seis pelo Campeonato Brasileiro e uma pela Sul-Americana. Atualmente, o time é o 18º colocado na tabela, com apenas 12 pontos.

A reestreia de Renato já é nesta quinta-feira, contra o Goiás, em um Olímpico entusiasmado com a volta de sua maior estrela.

Começo e projeção no Grêmio

Renato está de volta ao Olímpico | Foto: CP MemóriaO início da carreira de Renato no Grêmio remonta a 1982, quando ele foi contratado junto ao Esportivo de Bento Gonçalves. E no Tricolor de Porto Alegre foi que Renato ganhou projeção nacional ao vencer a Copa Libertadores e o Mundial de Interclubes do ano seguinte. Na disputa no Japão, o gaúcho de Guaporé marcou os dois gols na vitória sobre o Hamburgo, da Alemanha. Feito que lhe rendeu o prêmio de melhor jogador da final, e um lugar cativo no coração da apaixonada torcida gremista.

Em 1986, ele comandou o Tricolor no bicampeonato estadual. Suas atuações lhe renderam uma convocação para a Copa do Mundo. Antes de embarcar para o México, porém, foi cortado do grupo pelo então técnico Telê Santana por indisciplina. Na temporada seguinte, Renato acertou a sua transferência para o Flamengo e conquistou a Copa União sobre o eterno arquirrival, Inter. Um ano mais tarde, embarcou para a Roma, da Itália, onde permaneceu por cerca de um ano.

Ídolo de outro tricolor

No segundo semestre de 1991, Renato voltou ao Olímpico para resgatar a confiança do clube, perdida com o rebaixamento para a Série B. Não deu certo. Ele disputou a Supercopa – competição que reunia clubes campeões da Libertadores – e o Gauchão. O Grêmio foi eliminado do torneio internacional pelo River Plate, nos pênaltis. Renato marcou um gol na partida do Olímpico, mas desperdiçou uma das penalidades.

No Estadual, o Inter sagrou-se campeão após uma polêmica envolvendo a negativa dos jogadores colorados em realizarem o exame antidoping. No final daquele ano, Portaluppi voltou para o Rio de Janeiro, desta vez para o Botafogo. A aposentaria dos gramados aconteceu em 1999, no Bangu, não sem antes rodar – e fazer história – por outros clubes, como quando defendeu o Fluminense e fez um gol de barriga na final do Campeonato Carioca, e, 1995.

Como treinador, destaque no Fluminense

Renato começou a sua carreira como treinador no ano 2000, no Madureira, do Rio de Janeiro, e o Fluminense foi o primeiro grande clube de sua trajetória. No comando do Vasco da Gama, em 2006, ele solidificou a sua carreira como técnico, quando conduziu a equipe cruzmaltina ao vice-campeonato da Copa do Brasil e ao 6º lugar do Brasileirão.

Em 2006, Renato foi ovacionado no Olímpico, mesmo sendo adversárioJá naquele ano, ocorreu uma das maiores provas da sua relação com o Grêmio. No comando do Vasco, veio a Porto Alegre enfrentar o Tricolor no Olímpico pouco depois de o time de Mano Menezes faturar o título do Campeonato Gaúcho. Os cariocas ganharam a partida, mas não se ouviram vaias para Renato. Pelo contrário, ele ganhou uma faixa do título gaúcho. A vontade de retornar se mostrou recíproca.  

De volta ao Fluminense, em 2007, conquistou seu primeiro título como treinador ao levantar a taça da Copa do Brasil. No ano seguinte, perdeu o título da Libertadores da América para a LDU, nos pênaltis. Em agosto de 2008 foi demitido do clube das Laranjeiras no desembarque da delegação do aeroporto Santos Dumont, mas um mês depois já estava empregado novamente, outra vez no Vasco.

Entre idas e vindas ao Fluminense no ano passado, acertou contrato com o Bahia em dezembro. Sem conquistar o estadual, Renato deixa o clube em meio à disputa da Série B para retornar ao seu time de coração.

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