Grêmio

Artilheiros de 83 lembram começo de ano perfeito no Grêmio

Caio e César contam detalhes da conquista da Libertadores sobre Peñarol

Comemoração após gol contra Peñarol
Comemoração após gol contra Peñarol Foto : Jurandir Silveira / CP Memória
Há 30 anos, a América era pintada de azul, preto e branco pela primeira vez. No dia 28 de julho de 1983, o Grêmio derrotava o Peñarol por 2 a 1 no estádio Olímpico e conquistava a Taça Libertadores. Artilheiros daquela noite histórica, os atacantes Caio e César lembraram ao site do Correio do Povo detalhes da campanha tricolor e começo de um ano que culminaria no título mundial em dezembro. 

• Desafios moldaram Grêmio campeão em 83, explica Espinosa
• “Eles batiam e nós revidávamos", lembra China

"Nós tínhamos um objetivo traçado pelo nosso técnico, Valdir Espinosa. Queríamos ser campeão. O De Leon, o nosso eterno capitão era o responsável por passar as orientações para dentro do campo. O nosso êxito maior foi a nossa união", disse. César, autor do gol da vitória sobre os uruguaios, lembrou do "ano azul" após a conquista da Libertadores dentro do estádio Olímpico. "A vitória na decisão contra o Peñarol foi o começo de um ano perfeito", resumiu.

Titular na partida decisiva contra o Peñarol no estádio Olímpico, Caio abriu o placar para o Grêmio no estádio Olímpico. Ele prefere dividir os méritos do gol com toda a equipe e destacar que o placar de 2 a 1 foi feito com justiça divina. "O César era um baita centroavante e eu comecei a partida porque ele não estava 100%. Ele tinha vindo da Europa e não tinha descansado. Eu tive uma única oportunidade e aproveitei. E Deus foi tão justo que eu saí e quem fez o segundo gol foi ele", afirmou.

César mostrou-se um homem de fé quando ignorou fato de o técnico Valdir Espinosa preferir começar a partida decisiva contra o Peñarol com Caio no ataque ao lado de Tarciso e Renato. Ele não tinha a certeza de que marcaria o gol da vitória, mas acreditava que aquilo era possível. "O Espinosa simplesmente preferiu o Caio. Fiquei no banco, mas pensava que poderia marcar. Embora não estivesse 100%, eu acreditava muito em mim e tínhamos um grupo bom, do presidente ao roupeiro", recordou.

Arriscando tudo

Após o empate no Centenário em 1 a 1, uma vitória simples bastava para que o Grêmio ficasse com o caneco. Caio abriu o placar no começo do primeiro tempo, mas Fernando Morena assustou o estádio Olímpico ao empatar novamente a partida. "Depois do empate, arriscamos tudo para ganhar. Era uma oportunidade única e tínhamos esta mentalidade. Todos queriam o título e eu joguei sem estar 100%", relatou César antes de dizer que os uruguaios valorizaram o título. "Jogar contra um adversário daqueles era ainda melhor. Eles pegaram um osso duro de roer. Como tinham conquistado o Mundial, achavam que poderiam ganhar fácil", acrescentou.

Grêmio agressivo


Um dos diferenciais do Grêmio na Libertadores de 1983 era a agressividade com que jogava. Segundo Caio, tal característica foi aprimorada na decisão contra o Peñarol. "Eles tinham um timaço, mas o Grêmio era mais time. Sabíamos que para ficar com o título tínhamos que usar a nossa técnica e o modo como eles jogavam. Posso dizer que igualamos o duelo na base da porrada", disse entre risos.

Pelas Malvinas e contra o Grêmio

Mesmo um ano depois da Guerra das Malvinas, a Argentina permanecia inflamada pela derrota no conflito armado que determinou a posse das ilhas para o Reino Unido. O clima refletiu no confronto entre Estudiantes e Grêmio em La Plata e Caio lembra como uma das passagens mais complicadas do clube na Libertadores de 83. "Eles perderam alguns jogadores expulsos e mesmo assim buscaram o empate em 3 a 3. Sofremos muito fora de campo. Eu apanhei tanto a ponto de não conseguir voltar para o segundo tempo. Apesar disso, a direção foi forte", lembrou.


Comemoração de gol na partida contra Peñarol / Foto: Jurandir Sores / CP Memória

Campanha do Grêmio na Libertadores de 83:

1ª fase
Grêmio 1 x 1 Flamengo
Blooming (BOL) 0 x 2 Grêmio
Bolívar (BOL) 1 x 2 Grêmio
Grêmio 2 x 0 Blooming (BOL)
Grêmio 3 x 1 Bolívar (BOL)
Flamengo 1 x 3 Grêmio

Semi-final (triangular)
Grêmio 2 x 1 Estudiantes (ARG)
América (COL) 1 x 0 Grêmio
Grêmio 2 x 1 América (COL)
Estudiantes (ARG) 3 x 3 Grêmio

Final
Penharol (URU) 1 x 1 Grêmio
Grêmio 2 x 1 Penharol (URU)

28/07/1983 – Final da Taça Libertadores

Grêmio (2)
Mazzaropi, Paulo Roberto, Baidek, Hugo de León, China, Casemiro Mior, Osvaldo, Caio (César), Renato Portaluppi, Tita e Tarciso. Técnico: Valdir Atahualpa Ramírez Espinosa.

Peñarol (1)
Gustavo Fernandez, Walter Olivera, Nelson Gutierrez, Nestor Montelongo, Victor Diogo, Miguel Bossio, Walkir Silva (Peirano), Saralegui, Fernando Morena, Jose Salazar e Venâncio Ramos. Técnico: Hugo Bagnullo.

Local: estádio Olímpico

Arbitragem: Édson Perez (PER), auxiliado por Carlos Montalván (PER) e Henrique Labo (PER)

Gols: Caio e César (Grêmio) e Morena (Penharol)

Cartões amarelos: Paulo Roberto, Tita e Renato (GRE) e Oliveira, Saralégui e Morena (PEN)

Cartões vermelhos: Renato (GRE) e Ramos (PEN) aos 42' do 2°T

Público total:
80 mil

Bookmark and Share

Confira a programação de esportes na TV desta terça-feira, 23 de abril

Opções incluem eventos de futebol e outras modalidades esportivas em canais abertos e por assinatura



Placar CP desta terça-feira, 23 de abril: confira jogos e resultados das principais competições de futebol

Acompanhe a atualização das competições estaduais, regionais, nacionais, continentais e internacionais