Se em anos anteriores a gurizada precisou passar o Réveillon concentrada, pelo menos desta vez a logística permitiu o brinde em família. Mas nada de excessos, pois para a delegação de 23 atletas, comissão técnica, coordenadores e diretores, o primeiro dia do ano já foi de viagem. De Porto Alegre a Rio Preto por via área e depois por terra até Votuporanga, o Grêmio começou a caminhada em busca do título inédito da Copa São Paulo de Futebol Júnior.
Este ano serão 128 equipes divididas em 32 grupos. O Grêmio está no Chave 2 com jogos na Arena Plínio Marin contra Falcon/SE, Galvez/AC e Votuporanguense/SP. Para falar da expectativa com o desempenho no torneio e de outros assuntos ligados às categorias de base do Grêmio, o Correio do Povo conversou com Francesco Barletta, coordenador Geral do setor há vários anos no clube.
Como foi a visita do Luís Castro com a direção de futebol lá em Eldorado? De alguma maneira surpreendeu vocês?
Foi um interesse de ambas as partes, da direção e do Luís Castro, que a visita acontecesse. Tivemos um momento de troca muito bacana, no qual ele conheceu toda a estrutura do CT Presidente Hélio Dourado, desde a parte administrativa, passando pelo alojamento, academia e vestiários, até os campos. Além disso, teve uma ideia de como é a nossa metodologia de formação.
Há algum tempo a base do Grêmio tem sido motivo de elogios não só pela estrutura do CT, mas pelo aproveitamento e venda de atletas. Tu, que atravessa várias gestões, enxerga possibilidade de melhora em que aspecto do trabalho realizado?
A base do Grêmio sempre procura estar um passo à frente do mercado. Deixamos de disputar algumas competições para desenvolver e elevar o nível dos nossos atletas, ao optar pela participação em outros torneios. Também adotamos a metodologia de antecipar a utilização de jovens jogadores, levando em consideração a qualificação individual de cada atleta, independentemente da idade. Quando a exigência do mercado passou a demandar atletas mais jovens, encerramos a categoria Sub-23. Além disso, contamos com um trabalho de captação muito forte, antecipando-nos a outros clubes formadores. Estamos sempre buscando nos posicionar à frente das mudanças de mercado para que, quando elas aconteçam, já estejamos enraizados nesse contexto.
O Grêmio nunca ganhou a Copinha e agora embarca desfalcado, pois alguns jogadores ficarão em Porto Alegre no grupo principal. Que expectativa dá para ter deste time?
Aqui no Grêmio, buscamos formar atletas mais jovens e com nível para servir ao elenco principal. Disputamos a Copinha com jogadores abaixo da idade limite, que atualmente é de 21 anos. Assim como nas últimas edições, em 2026 atletas da categoria Sub-17 devem estar entre os inscritos. A expectativa está baseada na amostragem individual e coletiva que a equipe apresentará. Vamos apresentar os atletas à nossa torcida e ao departamento de futebol profissional, visando, futuramente, à integração ao elenco principal. A competição será utilizada em nível de formação e desenvolvimento, oportunizando outros jogadores, já que alguns permanecerão em Porto Alegre.
O PSG e outros clubes têm apostado em times cada vez mais jovens. Esta é, de fato, uma tendência? Se sim, a explicação está mais ligada à saúde ou ao negócio?
Acho que é muito mais uma questão de negócio do que saúde. Isso vai da capacidade que esses jovens, que são contratados, têm de se adaptar às situações do jogo. Todos sabem atacar e defender, independentemente da posição. Os jovens são mais maleáveis à mudança e à aprendizagem do que o atleta mais experiente, que já possui uma constituição de posição e características definidas. Há o aspecto da saúde e o do negócio, mas acredito que pese mais a adaptação do jovem ao modelo de jogo proposto.
Vocês que trabalharam com o Tetê na base, como avaliam o desempenho dele desde que saiu do Grêmio jogando todo o tempo na Europa? Ele entregou o que prometeu?
Uma das principais características e objetivos da nossa formação na base do Grêmio é fazer com que o atleta consiga se adaptar a qualquer clube do mundo. Foi o caso de Tetê, que atuou em clubes de destaque nos países por onde passou e disputou grandes ligas. Ele saiu muito jovem, e é difícil se manter por tanto tempo no futebol europeu. Tivemos outros atletas brasileiros que saíram com idade semelhante e retornaram rapidamente ao futebol brasileiro. Dentro do que esperamos de um atleta formado na base, ele entregou.
Agenda tricolor
02/01, às 18h - Grêmio x Falcon/SE - Youtube Cazé TV
05/01, às 16h - Galvez/AC x Grêmio - YouTube Xsports
08/01, às 21h30 - Votuporanguense/SP x Grêmio - Youtube CazéTV