Quando Paulo Autuori olhar para o banco de reservas na partida de quarta-feira com o Avaí, verá que sete dos oito jogadores que lá estarão são formados nas categorias de base do Grêmio. Marcelo Grohe, Bruno Collaço, Saimon, Maylson, Douglas Costa, Roberson e Bérgson iniciaram suas carrerias profissionais no Tricolor. Dos suplentes da noite, apenas Renato Cajá não começou no futebol vestindo azul, preto e branco.
Além deles, como titulares no confronto com a equipe catarinense, outros três atletas que estarão em campo - Mário Fernandes, William Thiego e Adílson - são oriundos da base gremista. Na lista de ex-juniores do Grêmio, ainda há o zagueiro Léo, desfalque contra o Avaí por lesão na coxa direita. O elevado número de crias gremistas na delegação é um reflexo do trabalho desenvolvido desde a chegada de Paulo Autuori. "A ideia é dar mais atenção à base", revela o diretor executivo de futebol, Mauro Galvão.
Trata-se de um trabalho quase silencioso, acompanhado por quem frequenta o clube diariamente. As estratégias são bem definidas. "O que está sendo feito no profissional é aplicado igualmente na base", diz Galvão, explicando que, dessa forma, o atleta se entrosa mais rapidamente quando for promovido.
Parte desse trabalho são as avaliações, direcionadas às carências do time. "Queremos mais qualidade e menos quantidade nas categorias de base", afirma o ex-zagueiro. Ele diz também que essas necessidades se concentram mais em laterais e meias e que não são um problema exclusivo dos gaúchos. "Hoje se conta nos dedos os bons camisas 10."
A opção de investimento na base, além de mais barata em relação às badaladas contratações, já provou que pode ser muito rentável. Desde 2006, o Grêmio lucrou alguns milhões com a venda de jogadores criados no clube. Anderson, Lucas e Carlos Eduardo são exemplos de sucesso neste trabalho. Os dois últimos, inclusive, foram convocados pelo técnico Dunga nesta terça-feira para os amistosos contra Inglaterra e Omã e têm chances de figurar na lista dos jogadores que vão representar o Brasil na próxima Copa do Mundo.
No entanto, pelo menos em um primeiro momento, fazer dinheiro com revelações não é o objetivo principal da direção. "O Grêmio não trabalha pensando nisso", diz Galvão, que em seguida faz a ressalva: "Mas futebol é um negócio". Para ele, a torcida gosta de ver jogadores criados no clube em campo. Além de o próprio jogador se sentir mais motivado e transmitir isso para o restante do grupo.
Para o futuro, o Tricolor tem algumas pérolas que podem vir a ajudar o time e forrar os cofres nas próximas temporadas. Alguns deles já vêm ganhando projeção em nível nacional. No último Mundial Sub-20, o Grêmio teve dois atletas que compuseram a delegação do País na campanha do vice-campeonato, Maylson e Douglas Costa. Na Nigéria, onde está sendo disputado o Mundial Sub-17, o zagueiro gremista Gérson é titular do Brasil. Afora esses, Mauro Galvão também lembra de Mithyuê e Wesley como destaques vindos da base.
No ano que vem, a presença dos oriundos da base entre os profissionais deve ser aumentada. "Os jogadores vão sendo lançados. Vai depender muito deles", prevê diretor executivo. Ele cita um caso deste ano: "O Mário Fernandes é uma realidade. Entrou e ganhou confiança e é titular hoje". É com esse pensamento que o Grêmio entrará 2010, quando, na opinião de Mauro Galvão, a base vai ter ainda mais chance: "O Grêmio vai dar oportunidades".
Base gremista terá mais oportunidades em 2010
Mauro Galvão garante que clube dará mais espaço às jovens promessas