Renato Portaluppi. O "homem-gol" do Mundial. O técnico do Tri da América! Renato eleva o clube que o lançou como jogador ao patamar dos tricampeões da América. E ele entra para o seleto grupo de homens que tiveram a competência e o privilégio de erguer a taça de campeão da Libertadores da América como jogador e técnico. Até então, eram apenas sete. Portaluppi é o primeiro brasileiro a conseguir o feito. E quis o destino que fosse com o Grêmio, onde, em 1983, como atacante foi peça fundamental na campanha exitosa do primeiro título gremistas do torneio. E na campanha deste tricampeonato histórico ele também teve papel importante: soube explorar e extrair o máximo de seus atletas.
Este rol de vencedores, se examinarmos, quem ergue a taça pelo mesmo time fica reduzido para cinco nomes. Três argentinos, um uruguaio e Renato Portaluppi. Roberto Ferreiro foi bicampeão como jogador (1964 e 1965) e ergueu a taça como treinador em 1974 com a camisa do Independiente; José Omar Pastoriza, também pelo Independiente venceu dentro de campo em 1972 e na casamata em 1984. O último argentino no rol dos campeões defendendo o mesmo clube é Marcelo Gallardo. Campeão com o River em 1996, como atleta e em 2015 orientando o time. O quarto integrante é o uruguaio Juan Martín Mujica. Mujica levantou o troféu em 1971 jogando pelo Nacional e 1980 dirigindo a equipe.
E então chegamos ao Grêmio de Renato. Com uma campanha irrepreensível, o Tricolor superou, na noite desta quarta-feira, o último obstáculo para atingir o topo do Aconcágua, o ponto mais alto da América.
A trajetória de Renato no Tricolor
O menino atrevido de Guaporé, antes de alçar o Grêmio ao topo do mundo, brilhar nos gramados com dribles e gols vestindo a camisa 7 do Tricolor e devolver a alegria ao torcedor gremista na noite desta quarta-feira viveu uma odisseia. Renato Portaluppi deixou Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, atrás de um sonho igual ao de outros tantos meninos: ser jogador de futebol. A concretização começou nos juvenis do Grêmio, onde rapidamente sua habilidade e ousadia despontaram. Foi promovido aos profissionais em 1982, mas a consagração como atleta veio em 1983, ano em que o Brasil e o mundo se renderam a ele e ao Grêmio.
Na final da Libertadores contra o Peñarol, Renato domina a bola na ponta-direita, faz duas ou três embaixadinhas e, como um foguete, cruza para dentro da área. Cesar dá a cabeçada certeira. Gol do título. Na final do Mundial Interclubes em Tóquio, Renato entortou zagueiros, driblou marcadores, anotou os gols da vitória contra o Hamburgo e pintou a Terra de azul, preto e branco. O ídolo vira mito.
Em 2010, Renato voltou a pisar no gramado do estádio Olímpico em 2010. Foi grande a emoção. Renato foi contratado para comandar o time no lugar de Silas. O cenário era complicado. O time estava mal. Ele tirou o Grêmio do Z-4 e deixou no G-4. Porém, sem reforços, a campanha na Libertadores terminou nas oitavas-de-final. Mas, o que mais doeu no treinador e na torcida foi a perda do Gauchão para o Inter dentro do Olímpico. O Tricolor havia vencido o primeiro clássico por 3 a 2 no Beira-Rio, mas foi derrotado em casa pelo mesmo placar. Nos pênaltis, os gremistas viram o arquirrival dar a volta olímpica. O técnico chorou feito criança. De dor. Em 2013, ele foi novamente chamado. O cenário era o mesmo de 2010: equipe instável. E outra vez fez bonito. Encerrou o Brasileirão em segundo, mas não seguiu no cargo. Na despedida, chorou outra vez.
Em 2016 ele assumiu o time, que para variar, estava num momento ruim no Brasileirão. Sequência de derrotas. Começavam a questionar e duvidar da qualidade do grupo tricolor. Renato, com seu jeito sereno e falando a língua dos jogadores, arrumou a casa. Aprimorou o time. Corrigiu as falhas, especialmente a bola áerea. Ele fez de Kannemann um dos maiores zagueiros em atividade no Brasil. Mais ainda: devolveu a força e a garra. Incutiu a vontade de ganhar nos jogadores. E agora em 2017, o TRI da Libertadores, com um grupo coeso, forte na defesa e mortal no ataque. Com isso, ele escreve um outro momento mágico na sua carreira e na do Grêmio.
Outros campeões:
Humberto Maschio (ARG)
Campeão como Jogador: Racing-ARG (1967)
Campeão como treinador: Independiente-ARG (1973)
Luis Cubillas (URU)
Campeão como Jogador: Peñarol-URU (1960 e 1961) e Nacional-URU (1971)
Campeão como treinador: Olímpia-PAR (1979 e 1990)
Nery Pumpido (ARG)
Campeão como Jogador: River Plate-ARG (1986)
Campeão como treinador: Olímpia-PAR (2002)
Campeão da Libertadores como jogador e técnico, Renato vira mito no Grêmio
Treinador é o primeiro brasileiro a atingir o feito que é formado por um grupo de, agora, oito pessoas