A estreia foi fora de casa e com categoria. O time de Renato Portaluppi mostrou logo de cara que não iria "passear" na Libertadores. Leo Moura e Luan, de pênalti. A caminhada do Grêmio rumo ao topo da América, ao tão almejado TRI iniciava com vitória: 2 a 0 em cima do Zamora. A torcida tricolor precisou esperar mais de 1 mês - a estreia foi 9 de março - para conferir o time na competição dentro da Arena. No dia 11 de abril, um jogo, digamos, "estranho". Vitória de 3 a 2 em cima do Deportes Iquique. Depois de um 1º tempo avassalador (3 a 0), o Grêmio, cochilou, levou dois gols e quase viu a vitória escapar por entre as paredes da Arena. Luan, duas vezes, e Bolaños, marcaram os gols gremistas.
No dia 20 de abril, no Paraguai, contra o Guarani, uma surpresa. Renato colocou em campo um time praticamente todo reserva. O Tricolor, naquele momento, priorizava o Gauchão. Com isso, a equipe não saiu de um empate em 1 a 1 no Defensores del Chaco. Foi uma luta até o final, pois o time saiu atrás do marcador e teve Michel expulso. O empate foi marcado por Pedro Rocha, um dos poucos titulares em campo. A equipe reserva mostrou que o espírito de Libertadores está impregnado em todo o grupo. Na semana seguinte, o Grêmio mostrou sua força, contra os paraguaios: 4 a 1 com direito a três gols do atacante Lucas Barrios. O outro gol gremista foi marcado por Geromel.
Em maio, a primeira derrota na competição. No Chile, diante do Deportes Iquique, o Tricolor saiu na frente, porém, permitiu a virada do adversário. O jogo, disputado na desértica cidade de Calama, apesar do resultado negativo não abalou a confiança da equipe e dos torcedores de que a trajetória em busca do TRI estava longe de terminar. No dia 25 de maio, o Grêmio confirmou a vaga nas oitavas com autoridade: 4 a 0 em cima do Zamora. Luan, duas vezes, Barrios e Pedro Rocha, detonaram os venezuelanos. O resultado deu ao Tricolor a terceira melhor campanha geral da primeira fase da competição continental.
PERDEU, VOLTA PARA CASA
O sorteio para as oitavas-de-final colocou o Godoy Cruz no caminho do Grêmio. Time argentino, portanto, todo cuidado era necessário para acabar com a "maldição" da eliminação nas oitavas de final. Na primeira partida, na Argentina, Ramiro aos 43 segundos do primeiro tempo marcou o gol da vitória gremista. Vantagem assegurada para a decisão na Arena. Vantagem que teve em Grohe o personagem principal. O goleiro gremista fez milagres em Mendoza. Na Arena, um susto: os argentinos saíram na frente justamente numa falha de Grohe. Mas, a torcida sabia que o time responderia dentro de campo se o apoio viesse. E ele veio. Virada e vaga nas quartas-de-final.
DUELO CASEIRO: TENSÃO
Até aqui, os confrontos mais equilibrados que o Grêmio teve dentro da Libertadores. A equipe treinada por Jair Ventura vendeu caro a vaga na semifinal. No Rio de Janeiro, um jogo pegado, tenso, duro, por vezes feio. Empate em 0 a 0. Na Arena lotada, tensão durante 90 minutos. A equipe carioca, nos primeiros 45, foi superior, perdeu chances. Grohe e a trave salvaram. Ninguém respirava. O ar pesava no estádio. Na volta do intervalo, Renato mandou o time para cima. O Botafogo, quando se deu conta, estava atrás e numa jogada aérea, Barrios subiu com estilo e fuzilou Gattito: gol, euforia, alívio, Grêmio semifinalista.
LUAN SHOW E MILAGROHE
O então temível Barcelona do Equador, que havia eliminado Palmeiras e Santos, foi abatido com extrema facilidade e naturalidade pelo Grêmio no Equador. Luan, duas vezes, e Edílson anotaram os gols da goleada tricolor. Foi uma exibição de luxo e requinte de futebol bem jogado. Mas, a partida ficará marcada para sempre não pelos gols, mas pelo gol que não aconteceu. Antes dos 5 minutos do segundo tempo, Ariel, ex-Inter, fuzilou um chute à queima-roupa. Grohe se atirou nela sem medo, sem hesitação: defesa inacreditável. Puro instinto, pura alma copeira, alma gremista.
A partida de volta, na Arena, mais de 54 mil gremistas viram o time administrar uma vantagem enorme, conquistada com categoria no Equador. Controlando o jogo, o Grêmio não se expôs e fechava os espaços. Os equatorianos se atiraram ao ataque. Numa jogada individual de Marcos Caicedo, que driblou três e bateu para a área. A bola desviou na zaga gremista e sobrou para o atacante artilheiro Jonathan Álvez marcar. A Arena emudeceu. Mas, na sequência, Cícero, de centroavante, pois Barrios estava machucado, teve uma oportunidade incrível de empatar. Perdeu. A torcida voltou a apoiar e viu até o final uma partida em que o regulamento estava debaixo do braço dos jogadores o tempo todo. Ao final, a festa: VAGA NA FINAL.
O Grêmio segue em busca do TRI, em busca de pintar a América de azul, preto e branco.