Na contramão do que pensam os dirigentes dos clubes, os governantes e comandantes da BM nunca esconderam que gostariam de ver a presença da corporação diminuída nos eventos esportivos. O argumento apresentado é bastante plausível: um jogo de futebol de médio porte pede a presença de aproximadamente 250 policiais, efetivo que deixa de circular pelas ruas das cidades.
Os dirigentes, porém, batem pé. Para eles, apesar da existência de episódios de violência excessiva por parte dos policiais, não há forma de promover futebol sem a Brigada no Estado. Um caminho alternativo seria remunerar a BM por sua presença nos estádios. Com os recursos, ela poderia pagar pelo menos as horas extras da tropa e comprar equipamentos mais modernos.
A favor da permanência
Dirigentes gremistas, colorados e de clubes do Interior unem-se quando o assunto é a defesa da presença da Brigada Militar nos estádios. Entre eles, é unânime a ideia de que sem policiais militares é impossível promover os jogos de futebol no Rio Grande do Sul. "Ficaria muito perigoso assistir a uma partida sem a presença da BM. Os orientadores orientam, mas quem dá segurança mesmo é a Brigada. Uma farda equivale a dez seguranças privados", atesta o diretor de administração do Inter, Régis Shiba. No Grêmio, a opinião é idêntica: "Os estádios são equiparados a locais públicos. Portanto, não há como fazer um jogo sem a Brigada Militar", afirma o vice-presidente do Grêmio, Nestor Hein.
No interior, onde os clubes têm menos recursos, os dirigentes dizem que a situação é ainda mais grave. "O problema são os torcedores que não têm postura de torcedor. Infelizmente, há marginais infiltrados, e sem a presença da Brigada ficaria inviável. Se com a BM já há ocorrências, imagina sem ela", avalia o presidente do Brasil de Pelotas, Ricardo Fonseca. Os dirigentes consideram a hipótese de "ajudar" financeiramente a BM. Dizem, porém, que é um assunto para o futuro.
Contra a permanência
No centro das críticas pela abordagem frequentemente violenta nas arquibancadas, a Brigada Militar quer deixar os estádios. É bem verdade que menos pelas queixas e mais pelos custos e por questões de operacionalidade.
A instituição alega ter prejuízos ao trabalhar no policiamento de jogos de futebol, além de deslocar para as partidas profissionais que poderiam estar atuando nas ruas. De acordo com o comandante-geral da BM, coronel Fábio Duarte, só no ano passado foram gastos R$ 8 milhões para a segurança de eventos esportivos. Todos pagos pela própria BM. "Eu não consigo entrar em um jogo sem pagar, certo? Entendemos que é um evento privado e estamos apresentando proposta para a Secretaria de Segurança e o governador no sentido de que a BM saia dos estádios", afirma.
O coronel observa que uma das alternativas seria seguir o modelo de eventos como o Carnaval, onde o policiamento é custeado por prefeituras. Neste caso, a Federação Gaúcha de Futebol arcaria com os custos. "Com esse valor, posso pagar mais horas extras e mantermos os policiais nas ruas nestes dias", explica.
Com informações dos repórteres Fabrício Falkowski e Rafael Peruzzo