Todos como uma enorme pilha de nervos ao chegar nos arredores do bairro Humaitá. Uma aglomeração maior, no setor Norte de acesso à Arena, cantava forte para espantar a ansiedade e iniciar o clima de decisão com gostinho de campeão da Libertadores. Todos tinham um placar dos sonhos para a decisão, que prometia ser dificílima contra o Lanús: 0 a 0 e 1 a 1 eram os mais votados. Alguns, mais sádicos ou fã de esportes radicais, vitória do Lanús e Marcelo Grohe agarrando a taça nos pênaltis. Vitória gremista? Também tinha os que acreditavam: 1 a 0, porém, e fechar a conta.
Logo o barulho foi à pé até o centro da Arena. Hino de Lupicínio, dá-le dale Tricolor, somos a banda mais louca, Renato, o homem gol... As músicas se sucederam até os times entrarem em campo no telão instalado nas arquibancadas. Aí os olhos ficaram vidrados nas imagens, alguns se ajoelharam e botaram as mãos para o céu. Outros puxavam cabelos, unhas foram poucas. Aqueles momentos que se pode cortar a tensão no ar com uma faca...
Mas logo aquela ansiedade se transformou. Não por controle emocional, que já tinha ido embora para casa, ou sabe-se lá onde ficou guardado. O Grêmio tratou de transformar tensão em vibração apertando o Lanús e buscando o gol.
Esse Tricolor não estava nem nos planos dos otimistas habitando o Humaitá naquele momento. Ou talvez estivesse, o sonho de um timaço imparável que rompeu as linhas inimigas dos hermanos e deixou golaços que nunca vão sair da memória!
O dedo do técnico Renato foi iluminado pelos milhares de gremistas na Arena, quando Fernandinho disparou em direção a área. Todos empurraram juntos a bola além das mãos do goleiro Andrada. GOOOOOLLLL! GOOOOOOLLLLL!! GOOOOOOLLLLLLLL do Grêmio!!!
Era pouco, a festa pedia mais, e o craque Luan foi buscar com todo o seu talento. Gremistas empurravam os marcadores para além dos dribles rápidos do atacante. A zagueirada ficou com as pernas curtas, enquanto Luan dava aquela casquinha que virou câmera lenta no meio da massa. Antes da bola tocar o fundo das redes, o rugido ensurdecedor da Arena já martelava o 2 a 0 com fogos, sinalizadores, fumaça e toda a felicidade do tri da América.
Precisava de segundo tempo depois de tudo isso? A Conmebol diz que precisa, o futebol exige, então os gremistas voltaram a se concentrar no telão. Os argentinos voltaram mais incisivos, o Grêmio recuou. Aí era hora de tirar a bola com o olho. Fazer "voodoo", vaiar alto até o Lanús ouvir e se aquietar. E, claro, vibrar com Bressan e Geromel, o Geromito!, a cada bola afastada, a cada jogada do Lanús destruída.
Pensou que não ia ter festa? Ainda tem muita festa e 2 a 0 na Arena pic.twitter.com/3NlvPBpsA3 — GrêmioCP (@GremioCP) 30 de novembro de 2017
Aos 19 minutos, todo mundo respirou fundo, o grito subiu até o meio da goela. Barrios saltou no meio da área e cabeceou a poucos metros. Quando o "gol" ia sair, a bola passou por cima e virou "uuuuuuuhhh!"
O nervosismo voltou com tudo aos 27 minutos. Jailson derrubou Acosta na área. Os gremistas secaram Sand, as grades divisórias do telão chegaram a tremer com a força dos dedos nervosos. Veio a batida e gol. Um silêncio de preocupação passou por todos no gramado com a pressão do Lanús. Ramiro foi expulso na confusão com Marconi, o drama deixava de novo o ar denso na Arena. Era hora do Grêmio ser herói.
Cada bola que passava perto da área era um momento de prender a respiração. Mas aqui é Grêmio! O Tricolor segurou a onda no campo, a torcida aguentou junto e os minutos passaram a favor do tricampeonato gremista. Quarenta minutos, 45, 5 de acréscimos!!! Acaba logo seu juiz!!!! O apito veio! Antes da meia-noite do dia 30 de novembro, o Grêmio é uma, duas, três vezes campeão da Libertadores da América.
A festa, aí, não tem mais hora para acabar em toda Porto Alegre. Uma festa que será repercutida em todo continente. Aliás, te cuida Cristiano Ronaldo! Te cuida planeta! O Grêmio está vindo embalado!
Quando o Grêmio virou tri da América, foi assim!!!! pic.twitter.com/XYtiP6JsEB — GrêmioCP (@GremioCP) 30 de novembro de 2017