Ao explicar um pouco dos adversários enfrentados pelo Grêmio em 83, Espinosa afirmou que a Libertadores da década de 80 era mais qualificada do que a atual, justamente pelos grandes confrontos. "Não me entenda mal. O campeão de ontem tem o mesmo valor do que campeão de hoje, mas a competição tinha mais qualidade. Você pegava um triangular e enfrentava adversários do seu país, não era como agora. As dificuldades eram muito maiores", recordou.
E para sustentar o argumento, Espinosa citou os times que atravessaram o caminho do Grêmio e fez um destaque especial para o jogo com o Estudiantes, quando os argentinos buscaram um empate em 3 a 3 com nove homens em campo em um confronto marcado pela violência. "Enfrentamos o Flamengo do Zico, que não se resumia a ele. Tínhamos o Bolívar e o adversário fantasma, que era a altitude. Além destes, o Estudiantes. Aquela partida em La Plata foi uma coisa que só quem viveu - e eu não quero viver aquilo novamente - pode saber o que aquele jogo representou", explicou.
O Grêmio aguerrido e agressivo
Espinosa relatou que até a final contra o Peñarol o Grêmio passou por algumas modificações na equipe. Segundo ele, três jogadores das categorias de base foram buscados para integrar o grupo e acabaram como titulares. Mazaropi, Paulo Roberto e Baidek. "Fizemos estas trocas e nas partidas tínhamos a possibilidade de jogar com um quarto homem no meio-campo ou com três atacantes. Não fugíamos disso", garantiu o ex-treinador.
A estratégia preferida de Espinosa tinha três atacantes e obrigatoriamente apenas três jogadores no meio-campo. "Eu trabalhava com China, Tita e Osvaldo. Na teoria, tínhamos apenas um homem de marcação, mas a nossa diferença estava no fato de que todos marcavam, inclusive os homens de frente", frisou.
O processo para convencer os atacantes Tarciso, Caio e Renato a marcarem não foi complicado, segundo Espinosa. "Comprometimento. É preciso conscientizá-los e cobrá-los. Jogadores como eles não gostam que você diga simplesmente que é preciso marcar. Eles querem ouvir a explicação e mostrar o resultado. Acho que isto está em falta hoje em dia", ponderou.
Entrando em campo pensando em Tóquio
O ex-treinador do Grêmio na Libertadores de 1983 disse que a equipe tinha uma espécie de mantra no momento em que entrava em campo. "Ingressávamos no gramado pensando em Tóquio, mas tínhamos a consciência de que para chegar até lá era preciso vencer, inclusive aquele time espetacular do Peñarol", afirmou Espinosa.
Questionado sobre como o Grêmio pode retornar à era vitoriosa, Espinosa simplificou. "A partir do momento em que o clube começar a olhar para as categorias de base, este período entrará na Arena", resumiu.