“Lembro da nossa chegada ao estádio, que foi tensa. Muitos torcedores empurraram o ônibus e nos xingava. Acho que hoje em dia não acontece tanto como naquele tempo. Mas a pressão da torcida é grande”, comentou o dono da camisa 5 tricolor na época. “O estádio estava cheio, acho que umas 60 mil pessoas. Eles deram apitos aos torcedores, que incomodaram o tempo inteiro”, acrescentou.
Outro fator complicado em Medellín foi a “malandragem extra-campo”, segundo Dinho. “Eles faziam muitas coisas erradas. Antes do jogo, pintaram o nosso vestiário, para tentar deixar um de nossos jogadores mal. Também cortaram a nossa água. Espero que isso não exista mais no futebol”, observou.
A altitude de 1,5 mil metros de Medellín não atrapalhou o Grêmio na final de 95. A delegação viajou alguns dias antes para a Colômbia, por orientação do então preparador físico Paulo Paixão. E o desempenho do Tricolor foi muito bom. “Não lembro de jogadores que tiveram problemas com isso. Eu não senti a altitude. Se alguém sofreu com o clima, foi pouco. Tomamos alguma precauções e fizemos uma preparação correta.”
Obrigação de vitória
Se tivesse a oportunidade de conversar com o elenco gremista antes da partida contra o Atlético Nacional, Dinho diria aos jogadores que precisam reagir depois do fracasso no Gre-Nal 400, nesse fim de semana. “A obrigação de vitória é maior agora. Tem que usar a derrota como um incentivo a mais para jogar na Colômbia. O time deve uma resposta ao torcedor. E um resultado positivo servirá para a equipe não desanimar e seguir em frente na Libertadores”, analisou o ex-volante.
Apesar da queda gremista diante do rival pelo Gauchão, Dinho é otimista em relação ao jogo desta quarta. Ele confia numa vitória do Tricolor, por 1 a 0. “Quem sabe com gol do Edinho”, arriscou. “Ele tem algumas características parecidas comigo. Tem garra, vontade e se entrega. Torço por ele", acrescentou.
Ficha técnica da final de 1995
Atlético Nacional
Higuita; Santa (Herrera), Marulanda, Foronda e Mosquera (Pabón); Serna, Gutierrez, Arango (Matamba) e Alexis Garcia; Angel e Aristizábal. Técnico: Juan José Peláez
Grêmio
Danrlei; Arce, Rivarola, Adílson e Roger; Dinho, Goiano, Arílson (Luciano), Carlos Miguel; Paulo Nunes (Alexandre Xoxó) e Jardel (Nildo). Técnico: Luiz Felipe Scolari
Gols: Aristizabal (12min/1ºT); Dinho (41min/2ºT).
Cartão Amarelo: Danrlei, Arce, Rivarola, Dinho, Paulo Nunes e Alexandre (GRÊ); Foronda, Serna e Gutierrez (ATN).
Cartão Vermelho: Goiano (GRÊ)
Local: Atanásio Girardot (Medellín, Colômbia)
Juiz: Salvatore Imperatore (Chile)