O primeiro ano da gestão Duda Kroeff no Grêmio esteve longe de atingir às expectativas do próprio presidente, que esperava conquistar a Copa Libertadores 2009. Prestes a ir para a segunda temporada no comando do clube, o dirigente revela, em uma entrevista exclusiva, uma certa decepção com o técnico Paulo Autuori, e afirma que não tem o perfil para fazer política. Mesmo assim, admite, publicamente pela primeira vez, que não descarta concorrer à reeleição no final de 2010.
Há um ano, o senhor preparava-se para assumir o Grêmio. Qual era a situação que você imaginava para este momento em 2009?
Eu pensava que o Grêmio ia ganhar a Libertadores. Era isso que eu queria, o que eu mais queria. Quase deu, se tivéssemos ganho aquele jogo do Cruzeiro lá em Minas Gerais, acho que teria dado. Obviamente não estou satisfeito, em 2010 tem que ser melhor, e vai ser melhor.
O que poderia ter sido feito de forma diferente?
Hoje é fácil falar, depois é fácil. Consigo ver algumas coisas que poderiam ter sido feito diferentes, mas naquela hora lá não tinha nada que pudesse ter sido feito muito diferente.
O que, por exemplo?
Hoje eu não traria o (técnico) Paulo Autuori, por exemplo.
Por quê?
Ele não ganha jogo fora. Se eu soubesse que ele não ganhava jogo fora, não traria. Só que, como é que eu ia saber isso, né? Eu imaginava que ele ia ganhar fora e dentro.
E se avançarmos no tempo, em que situação o senhor imagina estar daqui um ano?
Penso que o Grêmio vai ser campeão do Gauchão e da Copa do Brasil. Aí já estaria satisfeito, mas se pensar em perfeição, aí seria campeão da Copa do Brasil, do Gauchão e do Campeonato Brasileiro. Nem quero essa tal de Copa Sul-Americana. Não preciso.
No Gauchão, a dupla Gre-Nal entra sempre como favorita. Na Copa do Brasil do ano que vem, o Grêmio entra com boas chances de conquistar o título ou com a obrigação de ganhar?
Com chances, boas chances de ganhar. Obrigação de ganhar nunca tem, a obrigação é de tentar e fazer todo o possível para ganhar.
O técnico Silas é uma aposta?
Acho que aposta no sentido de nunca ter treinado um clube grande, aqui vai ser a primeira vez. Mas não é uma aposta no sentido de que foi escolhido o segundo melhor técnico do Campeonato Brasileiro. Isso não é pouca coisa.
Ele, no entanto, não era a primeira opção do Grêmio para substituir o Paulo Autuori. Ficou uma sensação de frustração por não ter conseguido trazer o Adílson Batista, que era o preferido?
Não, não, o contrário. Sou muito franco. O plano A era o Adílson Batista, não deu.
O plano B era o Dorival Júnior?
Não. Eram os dois (Dorival e Silas) e nós escolhemos o Silas porque achamos o melhor depois de conversar com os dois. Não houve frustração em relação ao Adílson porque o Silas causou uma impressão muito boa aqui quando chegou. Não ficou frustração por isso. Hoje penso até que pode ter sido melhor para a gente.
Qual o momento mais frustrante de 2009?
A derrota para o Cruzeiro lá. Para mim, isso foi o mais frustrante de todos.
O senhor considera que inicia 2010 mais pressionado na medida em que se não tiver sucesso no ano que vem, conclui a gestão sem títulos?
Pressionado eu não me sinto. Apenas aquela pressão normal de ser presidente do Grêmio, tanto quanto esse ano.
O senhor tem a fama de um dirigente apaziguador. As questões políticas no Grêmio têm dado mais trabalho do que o senhor pensava?
Não, está mais ou menos o que eu imaginava. Agora, tu disse que sou um cara apaziguador. Sou uma pessoa conciliadora, mas não sou político. Não sei fazer isso, não gosto de política.
E isso facilita ou dificulta para gerir um clube como o Grêmio?
Acho que é melhor para o Grêmio.
A retomada das discussões a respeito da Arena surpreenderam o senhor?
Não. A mim surpreendeu um pouco a importância e a repercussão que a imprensa deu para meia dúzia de pessoas, apesar de estar entre elas o ex-presidente Hélio Dourado. A única maneira de eu compreender isso é a presença dele lá.
Houve um determinado momento do ano, depois da eliminação na Libertadores, em que parte da torcida manifestou-se, inclusive, com palavrões contra o senhor. É algo que incomoda?
Não. Sinceramente, não dou muita bola para isso. Evidente que eu queria que eles gritassem ''Duda bonito'' ou qualquer coisa assim (risos). Mas sinceramente não me chateia muito. Acho normal, em um clube como o Grêmio é assim mesmo. Em um clube imensamente popular e acostumado a títulos, é normal.
O senhor pensa em tentar a reeleição ou sequer cogita?
Eu não tenho nenhuma vontade, mas sou obrigado a cogitar sim. Acho que esse não é o momento, mas quando chegar perto sou obrigado a cogitar se for o melhor para o clube.
Se o senhor não tem vontade, por que então é obrigado a cogitar?
Sou obrigado a cogitar porque preciso pensar no que é melhor para o clube. Se chegar perto da eleição e achar que o melhor para o clube é tentar a reeleição, sou obrigado a tentar. Mas não tenho vontade porque acho que dois anos é mais do que suficiente.
Duda Kroeff: "Hoje, não traria o Autuori"
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