Em Goiânia, João Bosco Luz, presidente do clube, não tem a menor dúvida de que o técnico alcançará o sucesso no Rio Grande do Sul. “Ele vai marcar história no Grêmio. É um grande treinador”, elogia. O mandatário vai além. Fruto de uma admiração construída no dia a dia nestes últimos dois anos e três meses em que os dois conviveram quase que diariamente no Centro-Oeste brasileiro. “Costumo falar por aqui que no impedimento do Felipão, ele é o cara a Seleção”, completa.
Enderson deixou o Goiás por vontade própria. O mandato de João Bosco Luz termina agora, mas a intenção do sucessor, Sérgio Rassi, atual vice-presidente, era de renovar o contrato. O treinador entendia que poderia subir um degrau. Estava pronto para encarar um desafio maior, como comandar o Grêmio, com poucos investimentos, na Copa Libertadores da América. “Ele tem estilo tranquilo, é muito trabalhador, de fino trato, uma pessoa séria, disciplinador. É muito qualificado taticamente. Um dos melhores que já conheci”, acrescenta o presidente.
Os elogios vindos de Goiânia são fruto dos resultados. Pegou um time, em 2011, que brigava para não ser rebaixado para a Série C. Livrou a equipe da queda. No ano seguinte, vieram os primeiros títulos no profissional, o Campeonato Brasileiro da Série B e o Campeonato Goiano. Na temporada que se encerrou há poucos dias, veio o reconhecimento nacional. A vaga na Libertadores escapou nas últimas rodadas. “Foi um trabalho muito bom. Bicampeão goiano, quarto da Copa do Brasil, sexto no Brasileiro”, destaca João Bosco Luz.
Isso que era apenas o primeiro clube em que o técnico assumiu efetivamente os profissionais. Antes, no Ipatinga, América-MG, Inter e Fluminense, teve somente experiências como interino. Nos dois últimos clubes, ganhou um pouco mais de destaque com o Inter B e ao comandar a equipe carioca na transição entre Muricy Ramalho e Abel Braga, embora já tivesse títulos importantes na base, como o Campeonato Brasileiro Sub-20 e a Taça São Paulo, ambos pelo Cruzeiro e em 2007.
Porto Alegre será a sua casa pela segunda vez. Agora, no entanto, o desafio é muito maior. Enderson Moreira tem a missão de liderar um Grêmio com menos investimentos, mas alimentado com o sonho de ser tricampeão da América. Uma tarefa árdua.