A impiedosa goleada da inauguração
Era para ser uma festa. E nada melhor que um jogaço, um clássico já consagrado, para a estreia. Esse deve ter sido o pensamento dos dirigentes gremistas à época da inauguração do estádio Olímpico, em setembro de 1954. Mas os planos não saíram bem conforme o planejado. O resultado da partida daquele dia – um estrondoso 6 a 2 para o maior rival – ficou tão famoso quanto o evento.
E se houve um culpado para a goleada, este culpado chama-se Larry Pinto de Faria, também conhecido pela alcunha de “Cerebral”. Dos pés do atacante – que havia chegado a Porto Alegre meses antes – saíram quatro dos gols da tarde. Jerônimo e Canhotinho completaram o placar do Inter, enquanto Sarará e Zunino marcaram os primeiros gols do Grêmio em Gre-Nais no Olímpico.
Catimba quebra hegemonia do Inter e arrisca salto mortal
O Inter havia empilhado oito campeonatos Gaúchos na sequência (de 1969 a 76). Para piorar, o arquirrival tinha também se consagrado bicampeão brasileiro. E foi em setembro de 77 que André Catimba, aos 42 do segundo tempo, acabou com a hegemonia colorada.
No jogo que decidia o título do Gauchão daquela temporada, os gremistas esperaram Tarciso bater uma falta da direita, que foi desviada no meio do caminho e caiu na frente de Catimba. O atacante mandou a bola para o gol. A euforia foi enorme no estádio. Entusiasmado, o herói gremista deu um salto desajeitado e desabou de cara no chão - tão forte que foi substituído logo depois. Com o 1 a 0, o Tricolor ficou com a taça e começou a se reerguer para os anos seguintes.
A troca de faixas após a conquista do mundo
A ideia foi de Renato Portaluppi. Responsável pela conquista do Mundial Interclubes de 1983, o dono eterno da camisa 7 gremista respondeu a uma provocação do arquirrival e marcou o clássico para o início da temporada seguinte. Tudo começou quando Mauro Galvão disse que de nada adiantava o Tricolor ser campeão mundial, se no Estado quem mandava era o Inter, tricampeão gaúcho.
O retruco foi intempestivo. Para decidir quem era melhor, foi realizado um clássico em janeiro de 1984. O jogo ficou conhecido como o Gre-Nal da troca de faixas. E Renato pintou também o Rio Grande do Sul com as cores do Tricolor. O resultado foi 4 a 2 para os donos da casa. O Inter até começou na frente, com gol de Silvio. Daí Osvaldo, Renato, Paulo Cesar e Caio marcaram em sequência para o time gremista. O Colorado ainda fez mais um no final.
Mário Sérgio participou da troca de faixas após conquista do Mundial / Foto: Roberto Santos / CP Memória
“Uh, Fabiano” faz um risco vermelho em década tricolor
Em 1997, o cenário era outro. Naquele ano, uma luz colorada tentava resplandecer diante de uma década em azul, preto e branco. Cena rara naquela época, o Inter brigava pelo título do Brasileirão. Antes de a bola rolar no Olímpico, provocações azuis, que usaram até um coelho para fazer analogia com a história em que a tartaruga passava na frente. Não adiantou em nada. O placar do jogo terminou em 5 a 2 para o Inter.
Camisa 7 colorado, o atacante Fabiano foi o nome do jogo. Mas não foi dele o primeiro da tarde: Christian abriu o placar logo aos 4. Sandoval aumentou antes do intervalo. No segundo tempo, Fabiano fez dois e Marcelo fez o quinto colorado. No lado do Grêmio, Sérgio Manoel descontou e Gilmar anotou um golaço no finzinho do jogo.
Fernando e Sérgio Manoel participaram do Gre-Nal marcado pela goleada do Inter / Foto: CP Memória O clássico dos cem anos de rivalidade
Um dia após o aniversário de cem anos do primeiro Gre-Nal, o estádio Olímpico recebeu o clássico de número 377. Na tarde de 19 de julho de 2009, as duas equipes se enfrentaram por mais uma rodada do Campeonato Brasileiro. E nesse embate levou a melhor quem arriscou. Sem contar com Thiego, o técnico Paulo Autuori confiou na improvisação de Mário Fernandes na lateral-direita e confundiu Tite, então comandante do colorado.
O Inter saiu na frente. Aos 25 minutos, Nilmar puxou forte contra-ataque e bateu na saída de Victor. Só que a festa colorada durou apenas dez minutos. O meia Souza cobrou falta perto da área e colocou a bola dentro das redes. O empate entusiasmou os tricolores, que conseguiram a virada no segundo tempo. Após cobrança de escanteio, Réver chutou a bola dentro da área, Guiñazu afastou e o atacante Maxi López empurrou a bola com a cabeça para a meta – 2 a 1.
Máxi Lopez comemora vitória no Gre-Nal após marcar gol decisivo / Foto: Cristiano Estrela / CP Memória
A última taça... é colorada
Um Gre-Nal cheio de atrativos acabou marcando a última finalíssima do estádio Olímpico. Renato Portaluppi ocupava a casamata tricolor, enquanto Paulo Roberto Falcão comandava os colorados na decisão do Gauchão de 2011. E os colorados pisaram no campo do rival como zebras, afinal, uma semana antes, haviam levado 3 a 2 em casa. E, para piorar, saíram perdendo aos 14 minutos do primeiro tempo.
Até meados da etapa inicial só um milagre salvaria o Inter. Falcão, então, ousou. Trocou o zagueiro Juan por Zé Roberto, que deu novo gás ao time. Aos 30, Damião deixou tudo igual e, na garra, um Andrezinho lesionado conseguiu virar aos 45. Na etapa final, D’Alessandro ampliou a vantagem do Inter, que só não conquistou o título durante o jogo, porque Borges descontou antes do apito final: 3 a 2. A decisão, então, foi para os pênaltis. Daí brilhou a estrela de Renan, que defendeu três penais. As cobranças alternadas só terminaram quando, após o erro de Adilson, Zé Roberto converteu e garantiu a taça – que se tornou a última levantada do Olímpico.
Damião levanta a taça do Gauchão de 2011, a última do estádio Olímpico / Foto: Pedro Revillion / CP Memória
Estatísticas do Gre-Nal no Olímpico
Número de clássicos – 122
Vitórias do Grêmio – 41
Vitórias do Inter – 34
Empates – 47
Gols do Grêmio –152
Gols do Inter –132