“Ele vai ficar focado somente neste procedimento, para apurar o que realmente ocorreu no local”, comentou o comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM), coronel Eduardo Biacchi Rodrigues. A previsão é de que o processo fique pronto em até 40 dias. “Esse é o prazo sem a prorrogação. Pode levar menos tempo, porque temos este oficial”, acrescentou.
A BM abriu o processo de apuração na semana passada, pois o fato tomou grandes repercussões depois que torcedores relataram uma suposta truculência da polícia. A confusão ocorreu na rua onde estão situados os bares mais próximos do estádio. Para dar maior transparência à investigação, foi solicitado que um promotor do Ministério Público (MP) acompanhe os procedimentos do inquérito desde o início.
Ainda na semana passada, o coronel Biacchi garantiu que o caso será apurado e que, se houve exagero na ação, os policiais serão punidos. Ele contou que o inquérito será analisado pela Justiça. “Minha conclusão vai ser analisada pelo o comandante geral da BM. Depois, ainda vai para um promotor do Ministério Público, e esse pode produzir ou não denúncia para julgamento no Poder Judiciário. E posso dizer que o código penal militar é muito rígido.”
Relatos
O Correio do Povo recebeu alguns relatos de agressão dos policiais. O gerente de TI Marcelo Minghelli, de 36 anos contou que viu uma correria num dos bares. “Vi uma comoção e os brigadianos correndo para um bar, de onde saem oito ou mais policiais arrastando um torcedor. Não sei o motivo”, disse. “Após isso, ocorreu o que sempre acontece: vaias e gritos contra o abuso. Com isso começam a chegar mais policiais a pé, de viatura e a cavalo, de armas em punho.Em segundos, começam os disparos de bala de borracha. Indiscriminadamente”, completou.
O advogado Adriano Tartari de 37 anos, contou que ficou ferido na confusão. “Levei um tiro de bala de borracha no nariz, a um centímetro do meu olho esquerdo. Registrei ocorrência ontem mesmo e hoje fiz exame de lesão corporal com o perito técnico. Estou muito bem, mas poderia nesse momento estar cego”, lamentou.