O cenário é a sede do Flamengo, de São Valentin, distrito de Bento Gonçalves. Está para começar o primeiro treino do Grêmio na pré-temporada. O preparador físico Anderson Paixão explica os exercícios que virão na sequência, e os jogadores ouvem atentamente. Em seguida, iniciam a corrida ao redor do gramado. É quando alguém em especial ali chama a atenção. Com o boné para trás e roupa de treinamento, Silas também participa.
Continua a série de exercícios e o treinador segue no mesmo ritmo dos demais. Nos primeiros dias no novo clube, o que se destaca no estilo do técnico é o envolvimento com os atletas. ''Não me lembro de ter trabalhado com um técnico assim, tão participativo. Você vê que ele está motivado'', observou Fábio Santos.
Alguns minutos de observação em qualquer um dos treinos são suficientes para constatar que a técnica dos tempos de jogador não ficou no passado. Ao fazer um lançamento, Silas evidencia porque chegou a participar de uma Copa do Mundo (em 1990, na Itália) pela Seleção Brasileira. Agora, a ideia é aproveitar a qualidade de quem mirava Zico como grande exemplo para em uma conversa casual e sem tom de cobrança mostrar aos comandados ali mesmo no gramado qual a melhor maneira de pegar na bola.
''É bom bater na bola, mostrar alguns fundamentos, principalmente para os mais jovens. Chute, por exemplo, no mundo inteiro a gente vê muito chute por cima'', reclamou o técnico. De acordo com Silas, a observação e o envolvimento de perto possibilitam em pouco tempo fazer uma análise do perfil psicológico do elenco tricolor. Exemplo? Em determinado momento de um dos treinos durante a semana, o técnico solicitou voluntários do setor ofensivo para ajudar no trabalho de marcação. Jonas e Borges se ofereceram.
Para Silas, uma atitude que pode passar despercebida, mas que demonstra a vontade dos dois. ''O grupo é bom, você vê que é gente que quer vencer. Se a vaidade não entrar no nosso trabalho, a chance de ir longe é boa'', garante.
Um dos aspectos mais comentados antes da contratação de Silas era sobre a influência que a religião teria no trabalho do treinador. De Florianópolis vinham informações dando conta de que os grupos comandados por ele acabavam divididos entre os atletas mais e menos religiosos. Os dirigentes do Grêmio asseguravam que tudo não passava de boatos maldosos. A julgar os primeiros dias, a versão da direção vingou. Os primeiros a negar qualquer polêmica envolvendo religião são os jogadores. Mas não são os únicos. ''Não tem nada disso de religião. Ele é uma pessoa de um relacionamento muito bom. Para o ambiente, é sensacional'', diz Anderson Paixão.
Experiência como jogador ajuda Silas na convivência com atletas
Técnico do Grêmio participa de todas as atividades com os jogadores nos treinos