Há pouco mais de um mês, a crise batia na porta do Grêmio. O cenário não era nada animador. Um time carente de talentos e sem dinheiro. A aposta nos jovens parecia não decolar. Para completar, era derrotado pelo lanterna do Gauchão em plena Arena e despencava na tabela. O time reagiu com a ajuda de reforços e agora desfruta da liderança da competição.
A reformulação financeira enfraqueceu a equipe. Barcos e Marcelo Moreno haviam zarpado para o futebol chinês. As perspectivas não eram nem um pouco positivas. Naquele sábado de Carnaval, dia 14 de fevereiro, vindo já de uma derrota em casa para o Brasil-Pel., o Grêmio encarava o Veranópolis, o último colocado do Estadual até então. A atuação foi horrorosa. Outro revés. Felipão abandonou o jogo antes do seu fim. A torcida não poupou vaias. A crise estava instaurada.
Aí tudo mudou em 38 dias. Era preciso mudar. Agregar qualidade, mas também aparar muitas coisas internas. “Eu tive uma conversa com o Felipão. Teve conversas entre atletas, comissão técnica, direção. A mobilização foi total”, salienta o presidente gremista, Romildo Bolzan Júnior. Luiz Felipe Scolari exaltou isso após a vitória de domingo sobre o Lajeadense. “Muita coisa estava faltando. Naquele jogo, algumas atitudes foram tomadas, de ambas as partes. Tanto dos jogadores, como minha e como da direção. Isso fez a mudança”, destacou o treinador.
Aos poucos, a equipe começou a melhorar. Veio a vitória contra o Passo Fundo que apaziguou a crise. O empate diante do Juventude, o terceiro jogo sem vitória na Arena, ainda mostrava um time instável. O ponto decisivo foi o Gre-Nal. Encarar um Inter que investiu muito na temporada, no Beira-Rio, trazia preocupações aos gremistas. A atuação, no entanto, foi consistente e o elenco ganhou confiança.
Vieram, então, as quatro vitórias seguidas. As duas últimas colocando o Grêmio na liderança do Campeonato Gaúcho. São sete partidas de invencibilidade. A última derrota foi justamente para o Veranópolis. Desde então, apenas um gol sofrido e nove marcados. “É uma evolução coletiva. Maior entrosamento, maior entendimento da parte tática. O sentimento depois daquele dia é que tínhamos que dar a volta por cima”, acrescenta Romildo.
Para Felipão, porém, ainda está abaixo do projetado. O técnico calculava 24 pontos após doze rodadas para estar na primeira posição. “Com 13 jogos, 26 pontos. Então, só podemos ganhar na quarta-feira. Tentar nos impor ao Novo Hamburgo”, disse.
Grêmio cresce em 30 dias e chega à liderança do Gauchão
Tricolor teve começo irregular e chegou a ser derrotado por lanterna da competição