Três presidentes, dez integrantes do departamento de futebol, oito treinadores e sempre a mesma frustração. A decepção se tornou rotineira no Grêmio nos últimos seis anos. A última taça levantada é de 2010. Em três das últimas seis edições do Campeonato Gaúcho, o clube sequer chegou à decisão. Um dado estarrecedor, ainda mais se levadas em conta as receitas infinitamente maiores que dos clubes do Interior.
O Grêmio nunca havia sido tão favorito ao Estadual desde o início do século. Sempre, no mínimo, havia uma paridade com o Inter isso quando não era apontado como azarão, como em algumas oportunidades. “Não considero fracasso. Acho frustrante. Este ano, por exemplo, era o mais fácil de ganhar”, destaca o presidente Romildo Bolzan Jr.
Foram adotadas as mais variadas formas de planejamento neste período. Em todos os setores. Se conteve os investimentos no futebol algumas vezes. Em outras, se abriu o cofre. Atenções foram divididas com a Libertadores, como nesta temporada, mas também já pôde se dedicar só ao Gauchão, como em 2015. Assumiram técnicos consagrados e apostas para comandar o time. O clube chegou a ter apenas diretores políticos no futebol, assim como em alguns momentos teve somente um executivo remunerado. Nada surtiu efeito.
“Cada um tem uma análise. É uma série de fatores”, salienta Romildo, mandatário gremista desde 2015. Paulo Odone, presidente entre 2011 e 2012, os dois primeiros anos do jejum, critica os gastos excessivos na gestão de Fábio Koff. “Lá em 2004, quando peguei um Grêmio falido, falei que levaria oito anos para o clube se reerguer. Em 2012, entreguei o clube zerado, até com superávit. Depois voltou tudo como era antes”, defende.
A seca atual só não é maior que a do período do octacampeonato do Inter, entre 1969 e 1976. Cada insucesso aumenta a pressão sobre os jogadores, os torcedores ficam mais impacientes, o clube fica mais propenso a mudar drasticamente o planejamento. O elenco de atletas já foi modificado algumas vezes neste período de seis anos.
“É complicado por se tratar de um clube gigante como o Grêmio, mas a gente também não pode carregar o peso destes 15 anos. Por estar todo este tempo sem ganhar, a pressão é muito grande. Fizemos uma boa campanha ano passado, mas o torcedor não se contenta mais com a vaga na Libertadores. Ficamos fora da final, mas tem o ano inteiro pela frente com outras competições”, diz Maicon. Os dois torneios mais fáceis ficaram pelo caminho. Restaram os mais difíceis para salvar 2016.
Grêmio tenta explicar jejum de títulos
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