Se há duas semanas a mudança da Libra (Liga do Futebol Brasileiro) para a FFU (Futebol Forte União) parecia uma questão de tempo no Grêmio, agora a história não é bem assim. Na última segunda-feira, a pedido do presidente Odorico Roman, o Tricolor adiou pela segunda vez a sessão do Conselho Deliberativo, que aconteceria no dia 17 de março. Nesse encontro, os conselheiros do clube votariam pela troca ou não de grupo.
Diferente do primeiro adiamento (o encontro estava, inicialmente, marcado para o dia 5 de março), dessa vez não há nenhuma nova data estipulada para essa reunião ocorrer. De acordo com a solicitação de Odorico Roman, que foi enviada aos conselheiros, “surgiram novos fatos no curso das tratativas que podem demandar maior tempo de análise por parte da gestão do clube”.
Após sinalizar uma possível mudança para a FFU, o Tricolor foi procurado pela Libra, que, com medo de perder um parceiro importante, apresentou uma proposta. Inclusive, há uma reunião marcada para o dia 18 de março entre as partes, e a tendência é que, deste encontro, surjam novas soluções e resoluções. Novidades em relação ao posicionamento do clube devem ser definitivas até o final de março ou, no máximo, até metade de abril.
Além de ser procurado pela Libra, o Grêmio também encaminhou dúvidas à FFU sobre alguns pontos do modelo apresentado e aguarda esse retorno para seguir avaliando o cenário. Uma das questões que mais sofre resistência internamente no clube é em relação à venda de 10% dos direitos de transmissão por 50 anos. Isso renderia as cofres R$ 109 milhões.
Mesmo com a venda dos 10%, o Tricolor ainda assim receberia mais caso saísse da Liga do Futebol Brasileiro para o Futebol Forte União. Para efeito de comparação, entre 2025 e 2029, a diferença de lucro é de 63 milhões (levando em conta a 9ª colocação do Brasileirão do ano passado e a audiência considerando o histórico da Globo/Premiere de 2023). Ou seja, na Libra, o clube receberia R$ 168 milhões, enquanto que na FFU: R$ 231 milhões.
Caso a escolha seja pela mudança para a FFU, o Grêmio terá que lidar com clubes integrantes do grupo que são contrários ao ingresso de novas equipes, casos de Goiás e CSA. A preocupação dos goianos e alagoanos tem a ver com a diminuição das receitas a partir da entrada de novos clubes. O Tricolor, por sua vez, não entende dessa forma, já que uma nova negociação, em 2030, seria feita com valores maiores.