Grêmio

Koff prega dedicação exclusiva e Bellini quer gestão profissional

Sem Odone, candidatos à presidência do Grêmio participaram de debate na rádio Guaíba

Sem Odone, candidatos à presidência do Grêmio participaram de debate na rádio Guaíba
Sem Odone, candidatos à presidência do Grêmio participaram de debate na rádio Guaíba Foto : Pedro Revillion
A menos de uma semana das eleições para a presidência do Grêmio – que ocorrem neste domingo – dois dos três candidatos à presidência do Grêmio participaram de um debate nesta segunda-feira na rádio Guaíba. Entre as propostas, Fábio Koff defendeu dedicação 24 horas ao cargo, já Homero Bellin pregou a profissionalização da gestão. O atual presidente do clube, Paulo Odone, não participou do encontro.

Primeiro a falar no debate, Fábio Koff lamentou a ausência do presidente Paulo Odone e lembrou o episódio em que foi vítima de agressões no pátio do estádio Olímpico, quando se preparava para assistir ao confronto entre Grêmio e Botafogo, nesse domingo. "Isso aconteceu por conta de arruaceiros que nada tem a ver com os torcedores que me receberam de braços abertos. Logo após o ocorrido, o presidente do Conselho Deliberativo (Raul Régis de Freitas) me ligou, mas o presidente (Paulo Odone) agiu como se nada tivesse acontecido nas dependências do clube", disse.

Homero Bellini Jr. também lamentou a ausência de Paulo Odone e afirmou que esse era o momento do torcedor conhecer as ideias de todos os candidatos. "É fundamental que todos conheçam os diferentes projetos. Nós entramos com a proposta de discutir os assuntos do clube com profundidade. Não faremos uma discussão baixa porque o torcedor está cansado dessa onda de ódios entre grupos", frisou.

Permanência de Luxemburgo


Ao falar do futebol, os candidatos concordaram que o sucesso do Grêmio passa pela permanência de Vanderlei Luxemburgo. Koff admitiu que ainda não conversou com o treinador gremista e sequer cogitou o nome de Luiz Felipe Scolari como opção. "Eu só tenho um nome: Luxemburgo. Já tive contato com ele em outras oportunidades, mas agora não quis contatá-lo para não haver constrangimento. Se eleito, gostaria de iniciar o trabalho tão logo após as eleições", revelou.

Bellini também defendeu a permanência de Luxemburgo e exaltou o resgate do espírito gremista com a chegada do técnico. "Também não conversei oficialmente com ele, mas apenas me certifiquei de que ele sabia que eu era candidato. O Vanderlei disse que sabia da minha candidatura e garantiu que está feliz no Grêmio. Seria um equívoco muito grande mudar isso", explicou.

Críticas ao futebol

Questionados sobre o que levou o Grêmio a ficar 11 anos sem um título, os candidatos citaram diversos fatores, mas enfatizaram a falta de critérios na hora de contratar. Koff lembrou que o Tricolor contratou 189 jogadores desde 2006. "Vimos jogadores desconhecidos atuarem pelo Grêmio. De lá para cá, o time sempre mudava de fotografia. Enquanto os outros clubes realizavam alterações pequenas, o Grêmio apagava tudo e começa de novo", disse.

Bellini criticou o sucateamento das categorias de base e recordou o estilo de jogo que conquistou a América nos anos 90. "Tenho duas filhas, de 16 e 13 anos, que não viram um título do clube. Algumas pessoas dizem que o Grêmio não tem uma cara, mas tem sim. Nos identificamos com o time que ralava a bunda para vencer e não admitia deixar o gramado derrotado. Isso se perdeu com a contratação de Paulo Autuori, mas o Luxemburgo trouxe isso de volta", acrescentou.

Modelo de gestão 

No momento em que as perguntas entre os candidatos foram liberadas, Koff questionou a pluralidade da gestão de Bellini, que pretende dividir o comando do Grêmio com mais sete pessoas, além da contratação de diretor-executivo. Ao responder, o representante do Movimento Grêmio Independente, disse que o seu vice-presidente de futebol será Antônio Carlos Maineri. "Nós anunciamos essa decisão com antecedência porque prometemos isso. Queremos a essa figura política presente ao lado de um diretor-executivo. Precisamos de pessoas profissionais, que se preocupam em alcançar metas e que possam ser cobradas por isso. Essa é uma das minhas pricipais críticas da atual gestão, que deixou a figura do diretor-executivo sozinha", argumentou.  

Para Koff, o retorno do Grêmio ao ciclo vitorioso passa por um presidente que possa se dedicar 24 horas ao clube, além da implementação de uma gestão modernizada e profissional. "Concordo com o Bellini na questão da profissionalização, acho que o Grêmio precisa de um mandatário que possa estar no clube durante 24 horas. O Grêmio deu certo com Hélio Dourado porque ele ficava no clube todo dia. Foi assim comigo também", resumiu.

Advogado e sócio de um escritório em Porto Alegre, Bellini questionou Koff sobre a ideia de um presidente com dedicação exclusiva ao clube. "Será que por ser um advogado atuante, não poderei ser um bom presidente para o Grêmio, Fábio?", questionou.

O ex-mandatário do Clube dos 13 elogiou o adversário e disse que ele tem competência para fazê-lo, mas citou exemplos de gestões que deram certo no futebol brasileiro e de outras que não tiveram êxito. "O São Paulo é vitorioso porque tem um presidente 24 horas. O Flamengo tem uma presidente que foi vereadora e olha como está", lembrou.  

Arena

Sobre a nova casa do Grêmio, Homero Bellini Jr. quis saber o motivo pelo qual Fábio Koff nunca foi visitar a Arena. Koff relatou medo de sofrer represálias como as de ontem, quando tentava acessar o Olímpico. "Primeiramente, nunca fui convidado pelo atual presidente e depois, em todo o lugar que eu vou e está um grupo de gremistas, eu recebo saudações. Também não quis constranger o atual mandatário do clube", explicou. 

Bellini lembrou que fez o requerimento para a Comissão Eleitoral do clube para que as outras chapas se utilizassem das visitas à Arena. "Fizemos isso para que os outros candidatos pudessem levar os seus grupos para conhecer a nova casa do Grêmio. Creio que se não tivesse sido assim, não teríamos conseguido essa anuência da atual direção", frisou. 

Koff explicou ainda que nunca foi contra o contrato da OAS, responsável pela obra da Arena, com o Grêmio. "Eu nunca disse isso. Sempre acompanhei o processo todo. Nas votações do conselho, eu não participei porque estava viajando. Na decisão do aditivo eu não quis votar porque não conhecia o contrato e por isso não tinha razões para estar lá", argumentou.     

Ao ser questionado sobre a transição do Olímpico para a Arena, Bellini revelou um temor com o processo, que, segundo ele, deve ser traumático. "Imagino que será dessa forma porque acredito que 50% do quadro de funcionários do Grêmio terá que ser demitido. São pessoas que tem uma vida dedicada ao clube e que terão que deixá-lo, infelizmente", disse. 

Para Bellini, a transferência ainda poderá causar prejuízos financeiros. "Os primeiros seis meses podem ser turbulentos. Essas pessoas mais antigas no clube sairão com grandes indenizações e nós precisamos estabelecer receitas para poder pagar esses compromissos", alertou.  

 
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