Chegar na penúltima rodada do Campeonato Gaúcho precisando vencer o Grêmio em Porto Alegre para evitar o rebaixamento é uma tarefa que parece desesperadora para qualquer clube do interior, não é mesmo? Pois não é o que acontece com o experiente técnico Ernesto Guedes. Aos 68, o treinador de longa história no futebol gaúcho tem a confiança de que o São Paulo irá conquistar uma vitória na Arena para voltar a Rio Grande vivo na briga para evitar a queda.
Em conversa com o Correio do Povo, Ernesto Guedes garantiu que seu time chega a Porto Alegre acreditando de que sairá da Arena com um resultado positivo. “O grupo está confiante. Ninguém tem medo de nada. Vamos para ganhar o jogo e procurar não deixar o Grêmio jogar”, projetou.
Nem mesmo o pênalti perdido por Anderson Pico nos acréscimos da partida contra o Veranópolis no último domingo parece abalar Ernesto Guedes. O treinador afirmou que o momento é de esquecer o que aconteceu no Gauchão e pensar no que pode ser feito para evitar o rebaixamento. “Não há trauma, não há problema, não há guarda baixa. Isso faz parte do futebol. Só erra quem faz. Baggio, Zico e outros grandes jogadores erraram pênaltis. Qual o problema? Ninguém gosta que isso aconteça, mas não é elemento para criar um trauma para isso abalar o time contra o Grêmio”, declarou o treinador, que lembrou de outros tropeços da dupla Gre-Nal no Gauchão.
“Matematicamente nós não estamos fora. Não vamos ficar remoendo coisas que passaram. O São Paulo tem um modo de ver as coisas. “Quando entra em campo não tem diferença. É o único esporte do mundo que quem tem melhor time e estrutura nem sempre que vence. O Cruzeiro não foi à Arena e venceu o Grêmio? O Inter não empatou com o São Luiz em casa com jogadores a mais em campo? Isso são coisas normais no futebol. Temos de saber lidar com as dificuldades”, afirmou.
Renato Portaluppi: adversário e amigo
A longa trajetória no futebol fez Ernesto Guedes criar muitas amizades. Uma delas é com o técnico do Grêmio, Renato Portaluppi. Guedes lembrou que em 2010 indicou ao então presidente Duda Kroeff a contratação de Renato como técnico para o Grêmio. “O Duda Kroeff era o presidente do Grêmio e fui consultado sobre o que achava de trazer o Renato. Disse que era o momento adequado porque o Renato teria o apoio da torcida e daria tranquilidade para fazer o trabalho por tudo que ele representa para o torcedor”, lembrou
Como jogador, Renato foi um duro adversário para Ernesto Guedes, que lembra com orgulho o título gaúcho de 1982, conquistado quando comandava o Inter. No Gre-Nal decisivo no Olímpico, Renato acabou expulso e o Colorado venceu por 2 a 0 com gols de Geraldão.
“O Grêmio tinha um ataque com Renato, Edmar e Júlio César. Um time que tinha Leão, Paulo Roberto, De León, Vantuir e Casemiro; Batista, Tonho e Paulo Isidoro; Renato, Edmar e Júlio César. Esse era o time do Grêmio e nós tocamos cinco em dois Gre-Nais”, recordou ele, que seguiu os elogios ao hoje técnico Renato.
“O Mauro, o irmão dele, jogou comigo. O Renato foi sempre meu adversário. Conversamos um longo tempo em 2006 quando ele estava no Vasco e eu era supervisor no Santa Cruz. Ali conversamos e o Renato me passou coisas positivas sobre a vida dele. O treinador tem que ter liderança, os jogadores têm de acreditar nele. O Renato é a maior liderança que tem no Grêmio hoje. Ele conquistou tudo que podia como jogador e está conquistando como técnico. Quem pode ter mais carisma que o Renato? Ele protege os seus jogadores assumindo a responsabilidade”, destacou. “Essa é a função do comandante e ele faz isso bem.”
Na lanterna, Ernesto Guedes mostra confiança em vitória do São Paulo na Arena
Experiente treinador lembrou boa relação com Renato Portaluppi em entrevista ao Correio do Povo