"Do jeito que eu treino no Brasil, eu nunca treinei em lugar nenhum. Aqui treina-se muito. Acabei de fazer a minha terceira pré-temporada. Nunca fiz isso em lugar nenhum. Com certeza contribuiu", ressalta. O corpo do capitão gremista não suportou. Mesmo para quem apresenta uma condição física exemplar. "Treinando igual a todo mundo e jogando 90 minutos sem parar, chega uma hora que você não aguenta. A maior prova disso é que não sou o homem de ferro que falam por aí", completa.
Na Alemanha, onde passou boa parte da carreira, o meia convivia com um trabalho diferenciado aos atletas mais velhos. Fator preponderante para jamais ter sofrido alguma lesão muscular durante a sua passagem pelo futebol europeu. "Tem preparadores que trabalham no individual. Pegam os atletas de mais idade e diminuem um pouco o volume, porque sabem que o atleta não necessita fazer o mesmo trabalho de um jogador de 20 anos", destaca. Fórmula que não se repete no Brasil. "Aqui se trabalha diferente, com todo mundo junto, o jogador de 18 anos, 25, 35. Eu estava acostumado com os trabalhos que dividiam o grupo", acrescenta.
Cautela no retorno
Fica a lição para o futuro. Para não perder mais uma sequência de jogos como a de agora, o Grêmio terá que adotar a cautela com Zé Roberto. O meia completará sete jogos fora dos gramados, caso a previsão do seu retorno contra o Santos, no jogo de volta da Copa do Brasil, se confirme. Em duas décadas de carreira, só tinha ficado uma outra vez tanto tempo no departamento médico. Foi quando deslocou um tendão do tornozelo direito jogando pelo Hamburgo, em novembro de 2009, quando ficou quatro semanas afastado dos gramados. "Quando eu voltar, vou ter que ter cautela. Não posso jogar todos jogos e treinar da forma que eu treino. Vou ter que dosar. Essa lesão vai ser um aprendizado", salienta.
O problema muscular praticamente transformou o camisa 10 em um morador do vestiário no Olímpico. São dois turnos diariamente, sem folga, nem no final de semana. "Eu só não trago um colchão para cá, porque está fazendo muito frio no vestiário. O chimarrão já tem que o pessoal traz para esquentar", brinca. Neste domingo talvez ganhe a sua primeira folga. De um turno apenas. Afinal, o trabalho é intenso para retornar no prazo previsto.
Difícil é acompanhar os jogos da equipe fora das quatro linhas. "Fico nervoso, tenso. Normalmente não gosto de assistir. Transpiro muito. Viro um torcedor", conta. Os gremistas aguardam ansiosamente pelo fim da fase torcedor de Zé Roberto e que o capitão possa voltar a ajudar o Grêmio dentro de campo.