Gabriel, de 14 anos, integra atualmente o time juvenil do Grêmio. Mesmo rasgando elogios ao filho, Jorceli disse que o caçula ainda terá pegar muito ônibus para chegar ao patamar dos irmãos mais velhos. "Os melhores ainda são Matheus e Guilherme, que já se pagam. O Gabriel só poderá ser o melhor quando se bancar. Tem que ter responsabilidade com a família, com o colégio, dentro de casa. Temos uma planilha com todas as atividades dele, como lavar a louça, por exemplo", explicou.
A planilha que define as atividades do caçula também serviu para exercitar a humildade dos mais velhos. A história dos Bitecos, oriundos de uma comunidade simples de Porto Alegre, no Grêmio começou há 12 anos, quando um olheiro gostou do que viu em uma quadra de futebol de salão. Dois dias depois, uma segunda-feira, Guilherme, então com sete anos, e Matheus, com seis, eram aprovados para a escolinha do clube.
As dificuldades existiram e foram superadas. Dois anos após ingressarem na escolinha, eles aprenderam a ir para os treinos de ônibus. O dinheiro da família era curto. Com a ajuda do influente empresário Jorge Machado, as condições melhoraram. "É muito bom servir de exemplo para os que são da comunidade como nós. Eles não podem desistir nunca. Quem faz as coisas certas, Deus vai abençoar um dia", destacou o meia Guilherme.
O volante Matheus amplia o discurso do irmão e exalta o caminho percorrido até a realização do sonho de jogar no Grêmio. "Ficamos felizes pelo o que a gente tem hoje. Olhamos para trás e percebemos o quanto a gente sofreu e como foi a luta para conseguir tudo. Agora é preciso dar continuidade. Nada é impossível. É preciso trabalhar muito e buscar os sonhos", disse.