Para o maior goleador do clube, o Grêmio precisa de um “centroavante de ofício”. Na falta de um, Alcindo pede para que o argentino Hernán Barcos permaneça mais tempo entre os defensores do oponente. “Acho que nem o Kleber ou o Barcos sejam centroavantes. Na minha época, atuariam na meia-direita, porque vem de tás. O Barcos tinha que ficar na frente incomodando os zagueiros”, analisou o Bugre.
O esquema tático escolhido por Renato também foi apontado como um fator para a escassez de gols. Alcindo ressaltou que o Grêmio, com três zagueiros e três volantes, está “jogando para empatar”. “Não existe time que possa ganhar sem fazer gol. O Renato tem que rever um pouco de seus conceitos, porque joga mais para se defender do que atacar. Cada jogo é um filme de terror”, ponderou.
Na opinião do Bugre, o grupo atual está confundindo o espírito “guerreiro” com uma formação retrancada: “Não adianta ter jogadores guerreiros, identificados, se estão jogando errado. O Grêmio joga em cima de uma bola perdida. Na história do clube, o time podia perder, mas fazia gols, ia para cima do adversário. Agora, os adversários chegam na Arena e sabem que o Grêmio não agride”.
Tarciso pede personalidade a Barcos
Conhecido como Flecha Negra, Tarciso também acha necessário o Grêmio ter um jogador “fincado” na área para incomodar os rivais. Mais do que isso, o ex-artilheiro tricolor quer que Barcos tenha mais personalidade para decidir seu posicionamento dentro de campo. Ele quer ver o Pirata “fominha” no ataque.
“O técnico é o Renato, que tem sua filosofia de jogo. Mas ele está à beira do campo. O centroavante tem que ser fominha, que xinga, pede para receber a bola na frente. Se não for assim, morre de fome”, argumentou o ex-atacante.
Flecha Negra elogiou o atual capitão gremista e disse que aprovou a contratação do reforço no início da temporada. “Acho o Barcos um bom jogador. Até aplaudi a contratação. O problema é que está jogando errado. Contra o Atlético-PR, vi ele voltando muito e tirando a bola da área, como se fosse zagueiro.”
Tarciso contou que viveu uma situação parecida com a de Barcos. O ex-atacante passou dois anos sem marcar gol em clássicos Gre-Nais. Apesar de a seca ter sido menor, ele sofreu muita pressão na época. “Todo mundo cobra. Daí chega o outro dia, olha o jornal e está lá que tu foi (sic) mal. Aí o jogador começa a cair nessa. O que precisa é o grupo se unir e fechar com ele. Errar e acertar faz parte do futebol. A bola não é de ferro. Lá dentro do campo tem que ter personalidade grande para fazer o certo”, observou.
O esquema defensivo armado por Renato foi alvo das críticas de Tarciso. Para ele, o Grêmio tem que jogar para “ganhar o jogo”, porque precisa do resultado. “Claro que esquema defensivo tem que existir, pois ninguém é índio para só atacar. Mas precisa de referência no ataque. A gente já não tem um meio de campo habilidoso. Então se for na base do chutão, alguém tem que estar lá na área”, salientou.