Se o desejo era fugir das longas viagens, o sorteio da Copa do Brasil não sorriu para o Grêmio. A primeira fase reserva um deslocamento de 3 mil quilômetros até Campina Grande, no interior da Paraíba, para encarar o Campinense e uma realidade bem diferente da sua. Um clube com folha salarial 20 vezes menor que a gremista terá em 2015 e que muitas vezes depende da boa vontade dos seus dirigentes para completar o orçamento mensal. Apesar disso, o presidente William Simões prometeu time competitivo para "duelo interessante" contra o Tricolor. "A nossa pré-temporada já está no ritmo acelerado e esperamos montar uma equipe capaz de brigar por títulos. Ganhamos a Copa Nordeste no ano passado e mesmo com orçamento humilde queremos montar um time forte", disse em entrevista à Rádio Guaíba.
O gasto com os atletas alcança R$ 250 mil, abaixo do que é arrecadado. “Com a parceria da prefeitura municipal e de algumas empresas da região, a receita mensal chega em torno de R$ 200 mil. O restante vem da bilheteria e de dirigentes que tiram do bolso”, conta o presidente William Simões. Ele próprio já colocou dinheiro seu para pagar as despesas. “Muitas vezes”, acrescenta o mandatário que não gosta muito de entrar no assunto. O salário mais alto é de R$ 10 mil.
O dirigente orgulha-se mesmo de ter investido na estrutura desde que assumiu em 2011 e dos títulos do Campeonato Paraibano na temporada seguinte e da Copa do Nordeste em 2013. Aliás, o exemplo para sonhar vem do título regional. “O futebol brasileiro é muito nivelado. Nós fomos campeões do nordeste com uma folha de R$ 250 mil, passando por equipes como o Sport, que estava na Série A, e gastava R$ 3 milhões”, exalta.
O confronto pode trazer uma boa renda extra para o time, apesar de não ser o Flamengo, o time mais popular do Sul e Sudeste em Campina Grande. “O Grêmio não tem muito torcedor por aqui, mas tem o atrativo do Felipão, campeão mundial. Espero casa lotada”, salienta Simões. O jogo será no estádio Ernani Sátyro, mais conhecido como Amigão, com capacidade para 35 mil torcedores. Ano passado, na Copa do Brasil, a equipe recebeu o rubro-negro carioca com casa cheia. A renda passou dos R$ 580 mil. Segundo o mandatário, porém, 75% do público de 30 mil torceu para o Campinense.
O elenco foi totalmente reformulado para 2015. Não ficou ninguém, à exceção dos atletas da base. “Às vezes, há a necessidade se mudar. É normal. Como a gente não tem uma base fortalecida, todo ano a gente muda de time. É uma prática comum por aqui”, explica o presidente. Foram 15 contratações, e a direção busca ainda mais três reforços.
Presidente do Campinense promete time competitivo para encarar Grêmio
Adversário na Copa do Brasil tem folha salarial de R$ 250 mil