Grêmio

''Renato tinha que ter saído antes'', avalia Paulo Pelaipe

Diretor-executivo do Grêmio garantiu que clube não irá vender jogadores na janela de transferências

Paulo Pelaipe recebeu a reportagem do CP em sua casa e comentou a saída de Renato
Paulo Pelaipe recebeu a reportagem do CP em sua casa e comentou a saída de Renato Foto : Cristiano Estrela
Na última quarta-feira, o diretor-executivo do Grêmio, Paulo Pelaipe, recebeu a reportagem do Correio do Povo em casa. Em pouco mais de uma hora de conversa, o dirigente falou sobre reforços, 2012, Inter e Renato Portaluppi.

Correio do Povo - Quantos reforços virão?

Paulo Pelaipe - É aquilo que dissemos lá atrás. Estamos em busca de dois zagueiros, um centroavante. Temos que definir a situação do Brandão, porque a opção de empréstimo dele só vai até 30 de junho. Não quero iniciar um ano sabendo que em junho vou ter um problema.

CP - Ele fica se prorrogar o vínculo?
PP - Estamos vendo. É um jogador que deu uma boa resposta, mas estamos vendo.

CP - Você chegou a temer que o Kleber não viesse?
PP - Não. Temer nunca, mas eu sabia que era difícil.

CP - Você fica com receio dessas especulações sobre o Wolfsburg querer o Carlos Eduardo?
PP - O Carlos Eduardo manifestou o desejo de jogar no Grêmio. Quando o (Jorge) Machado ligou para o presidente (Paulo) Odone dizendo que o Carlos Eduardo queria ficar um ano aqui, evidente que dissemos que temos interesse.

CP - Hoje, depois de tanto tempo parado, ele é uma aposta?

PP - Não, ele é uma realidade. Em 30, 45 dias, o Paulo Paixão coloca ele em condições de jogo. Já fez todos os exames, está recuperado, não tem problema nenhum. Um jogador com a qualidade dele não perde a condição técnica. Precisa recuperar só a forma física.

CP - No início do ano, houve a saída do Jonas por uma multa considerada baixa. Há jogadores com o contrato em condições semelhantes?
PP - Não, o único que finalizava em setembro era o Marcelo Grohe. Mas ele já renovou por cinco anos. Não tem ninguém no Grêmio com multa baixa. Na minha chegada, revisei todos. Até hoje não entendi o caso do Jonas. Quando contratei o Jonas, a multa de saída dele para o exterior era de 40 milhões de dólares e, na renovação de contrato, foi reduzida para 3 milhões de dólares.

CP - O Grêmio vai vender alguém na próxima janela?
PP - Não vamos vender ninguém. Podemos vender só um ou outro.

CP - Nenhum titular? Nem o Mário?
PP - Não, nenhum. Já recusamos duas propostas pelo Mário.

CP - Elas chegaram a quanto?
PP- Ah, isso é economia interna.

CP - O Inter hoje é um time melhor do que o Grêmio?
PP - Esse ano foi. Olha bem a resposta: esse ano foi. Foi campeão gaúcho, chegou à frente do Grêmio no Campeonato Brasileiro. Foi melhor que o Grêmio.

CP - O Inter é hoje um time mais experiente que o Grêmio? Essa é a diferença?
PP - Mas o Grêmio tem muitos jogadores experientes. Na realidade, o time que perdeu o Gauchão tinha Gabriel, tinha Rodolfo, Douglas, Borges, André Lima. Todos jogadores experientes. Tinha jogadores rodados.

CP - É importante que em 2012 o Grêmio tenha um dirigente de cargo político junto contigo?
PP - O Vasco tem dirigente político? O Vasco tem o Rodrigo Caetano. O Palmeiras agora colocou o César Sampaio. O Corinthians tem o Edu Gaspar. Então não sei. Me adapto a qualquer sistema. O que tem que acontecer no clube? A diretoria traça uma diretriz e o executivo trabalha, executa. É o que estou fazendo. Até dezembro, vim para contornar os problemas, para ajeitar o vestiário. E, evidentemente, começando a projetar o ano. Existe uma política, eu dou as alternativas para o pessoal da diretoria e eles escolhem. No futebol, quanto menos gente tiver, melhor.

CP - Que erros foram cometidos esse ano, a partir da sua chegada, que não podem ser repetidos?
PP - Olha, tivemos que tomar decisões. Trazer o Paulo Paixão, por exemplo. Acho que acertamos nisso. Infelizmente tivemos que trocar o treinador na época. Porque a situação estava grave, o time estava sem padrão de jogo, sem equilíbrio, estava indo para um caminho difícil...

CP - Se você tivesse chegado antes, teria mantido o Renato como técnico por mais tempo?
PP - Com todo respeito ao ídolo, porque o Renato é o maior ídolo da história do Grêmio. Mas, com todo o respeito, o Renato tinha que ter saído quando perdeu o Campeonato Gaúcho. Tenho o maior respeito ao ídolo, ao atleta que deu as maiores glórias do futebol do Grêmio. Mas ele foi muito bem no ano passado e, este ano, ele não foi bem. Essa é a realidade nua e crua. Da maneira como o Grêmio perdeu o Campeonato Gaúcho, o Renato teria que ter saído naquele momento. Porque o Grêmio já tinha sido eliminado da Libertadores em casa. A equipe estava sem padrão de jogo. A verdade é essa. Uma coisa é o ídolo, outra é o profissional.

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