
O ano de 2010 foi marcado por altos e baixos no estádio Olímpico. Depois de um começo de ano promissor, com direito a título do Gauchão em cima do maior rival e um confronto épico contra o Santos na Copa do Brasil, o Grêmio caiu de produção e sofreu para sair da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Neste mesmo período, viu o Inter conquistar o bicampeonato da Libertadores. Quando o ano parecia perdido para a torcida tricolor, o eterno camisa 7 Renato Portaluppi assumiu o comando técnico do time.
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Quatro meses mais tarde, o Grêmio, quarto colocado no nacional, garantiu à vaga na Libertadores de 2011 e ainda viu o rival vermelho ser eliminado da disputa do Mundial de Clubes na semifinal. “Depois que o Renato chegou tudo começou a dar certo, até o Mazembe começou a ganhar”, brinca o presidente do Grêmio no biênio 2009/2010, Duda Kroeff. Confira os principais momentos do ano para Grêmio sob a ótica do ex-mandatário Tricolor.
Louros com Silas
Sob o comando do recém-contratado Silas, o Grêmio começou o ano dando esperanças ao torcedor. Ainda que não tivesse atuações convincentes, a equipe terminou o Campeonato Gaúcho com o melhor desempenho da competição. Nas finais, bateu o Inter de Jorge Fossati por 2 a 0 dentro do estádio Beira-Rio. “Foi a melhor coisa do ano, para mim. Fazia tempo que a gente não ganhava lá e nesse jogo acabamos vencendo. Foi emocionante”, disse Kroeff.
No jogo de volta, no estádio Olímpico, o meia colorado Giuliano marcou e decretou a vitória colorada. O saldo feito no Beira-Rio colocou a faixa no peito dos jogadores do Grêmio. “Naquele dia o que importava era confirmar o título. O que eu queria mesmo era que aquele jogo terminasse de uma vez e a gente pudesse soltar o grito de campeão, o que de fato acabou ocorrendo”, lembra o ex-presidente.
Copa do Brasil
Depois de bater adversários fracos como Araguaia, Votoraty e Avaí, o Tricolor ganhou posto de favorito ao título da Copa do Brasil ao bater o Fluminense, por 3 a 2 e 2 a 0, respectivamente. Na semifinal, encontrou pela frente o badalado Santos de Neymar, Robinho e Paulo Henrique Ganso. “O primeiro jogo – no Olímpico – foi sensacional. Foi um dos jogos mais emocionantes que já vi na vida, não só como dirigente, como torcedor também. Quando o jogo terminou recebi centenas de torpedos de gremistas me dizendo que aquele era o Grêmio que queriam ver. Já o jogo lá na Vila Belmiro foi uma frustração sem tamanho. Um divisor do ano de 2010”.
Queda de Silas
“O Silas nunca foi uma unanimidade. Depois daquele jogo na Vila se abateu uma depressão no time que só piorou com o recesso para a Copa do Mundo. A decisão de ir passar um período em Florianópolis, durante a intertemporada, foi errada. Os jogadores não queriam, acharam muito tempo. Ali eu percebi que o Silas tinha perdido o comando. Mas a gente sempre acredita que as coisas podem voltar a ser como eram antes”, resumiu Duda Kroeff. Mas não voltaram. O Grêmio de Silas acumulou derrotas no Campeonato Brasileiro e passou a figurar a lista dos quatro últimos colocados na tabela de classificação.
“Depois da derrota para o Prudente, em que o Grêmio foi muito mal, eu senti o Silas muito quieto, sem reação, e vi que algo precisava ser feito. Antes do jogo contra o Fluminense eu já tinha decido que caso o Grêmio perdesse novamente, ele sairia. No intervalo eu liguei para o “Gauchinho”, empresário do Renato, dizendo: “Se terminar mal, vamos falar no final do jogo”. No outro dia o Alberto Guerra já embarcou para o Rio para tratar da contratar do Renato. Quando a negociação fechou o Renato me ligou e falou: “Obrigada por estar realizando o meu sonho”, lembrou Duda.
Grêmio cresce com Renato
Renato estreou no comando técnico no Grêmio na derrota por 2 a 0 para o Goiás, em jogo válido pela primeira fase da Copa Sul-Americana. Parecia que os problemas do Tricolor não teriam fim mesmo com a presença do eterno ídolo na casamata. Parecia. Três dias depois, o Grêmio voltou a enfrentar o Goiás, desta vez pelo Campeonato Brasileiro, e devolveu o placar de 2 a 0 . A partir de então, o Grêmio saiu de 18ª na tabela para quarto, posição que rendeu uma vaga na pré-Libertadores da América de 2011.
Balanço do ano
“O ano termina com um balanço altamente positivo. Conquistamos o Campeonato Gaúcho, o returno do Campeonato Brasileiro e uma vaga na Libertadores do ano que vem. Além disso, tivemos o artilheiro do Brasileirão, o Jonas, com 23 gols”, listou o ex-mandatário tricolor. Questionado se isso era suficiente para um clube do tamanho do Grêmio, Duda relativizou: “Não, não é. Mas o dirigente passa o tempo todo tentando formar um grande time. Erra, acerta, gasta demais, gasta de menos e, muitas vezes, não consegue. Ainda que no final do ano, eu consegui formar um ótimo time. A vaga é um começo porque agora o Grêmio tem equipe e treinador para lutar por títulos no ano que vem”, finalizou.