Admitindo a idolatria “repentina”, já que está em Porto Alegre há menos de um ano, Zé Roberto torce para que a avalanche na Arena seja mantida e, com a experiência de quem já defendeu outros oito clubes na carreira, além da Seleção, garante: “O torcedor do Grêmio é diferente”.
Confira os principais trechos da entrevista:
Sonho da Libertadores
“Sempre fui de sonhar. Quando jogava descalço na rua, sonhava em ser jogador, ir para à Seleção e disputar uma Copa. Joguei duas. Então, na minha vida eu vivo sonhando. Ultimamente o meu maior sonho é o de ser campeão da Libertadores.”
Diferenças da competição
“Tem catimba, a arbitragem é diferente. No jogo contra a LDU na Arena, saí todo ralado e não marcaram uma falta. O Vanderlei passa muito isso. No Brasil, qualquer esbarrão é falta e você fica mal- acostumado. Na Libertadores, tem contato e o jogo continua. E não tem essa de reclamar. O adversário bate rápido a falta. Tem toda uma preparação.”
Principais adversários
“São os brasileiros. O Grêmio está no mesmo nível deles, mas um time que está um pouco acima é o Corinthians. Por ter mantido a base campeã e ter feito grandes contratações. No início, não têm estrangeiros favoritos, mas vão surgir ao longo da competição.”
Pênaltis com a LDU
“Passei por algo parecido na Copa do Emir no Qatar. Na semifinal e na final a gente venceu nos pênaltis. Contra a LDU, eu iria cobrar, mas pedi para ser depois porque estava com muita cãibra. Quando foi chegando a hora e sentindo ainda as cãibras, ao mesmo tempo comecei a orar para que o Marcelo pegasse. Eu estava apreensivo por ainda estar na disputa e também não tendo condições de bater. Até lembrei quando estava no Qatar, onde eu sentia muita cãibra. Mas lá, o massagista levava sal para o banco. Eu comia e aliviava por um tempo. Cheguei até a pensar em pedir sal aqui também.”
Título como capitão
“A única diferença é que você sai na foto da taça. Mas, fora isso, não tem nada a mais. Até porque o título vai ser lembrado por quem jogou, não só pelo capitão.”
Liderança no vestiário
“Sempre foi natural, a partir do momento que chegava e era um dos mais velhos. Começou a acontecer na segunda passagem pelo Bayern. No Hamburgo, tive quatro técnicos e com dois eu fui o capitão. No Qatar, eu era o capitão.”
Idolatria
“Não esperava. Estou vivendo pela primeira vez essa identificação tão rápida. Antes de vir jogar no Sul, sempre ouvia que um jogador para se tornar ídolo leva-se algum tempo. Até porque já faz alguns anos que o próprio Grêmio não tem um ídolo como tempos atrás. Caras como o Roger, Émerson, Paulo Nunes, Jardel.”
Cadeiras na Arena
“Se acontecer, não tendo mais a avalanche, com certeza vai ser triste. Mas não vai deixar de faltar a paixão. Os torcedores do Grêmio são diferentes.”