Conforme o defensor Público Igor Menini, o cadastramento dos integrantes de cada torcida organizada é a alma do TAC. "Isso é fundamental para o funcionamento desse termo", disse. "A nossa ideia é retirar o anonimato dos episódios de violência, porque alguns torcedores se valem disso para atuar." Além disso, Menini afirmou que o número de torcedores cadastrados influenciará no espaço destinado dentro do Olímpico. "Hoje, por exemplo, a Geral tem 4 mil integrantes, mas se apenas 100 estiverem com cadastro, somente esses poderão entrar", esclareceu.
De acordo com Menini, o documento vale para o estádio Olímpico, na medida em que o Grêmio está construindo a Arena. "O TAC não tem validade em termos de data, mas está restrito à atual casa do Grêmio porque lá existem divisões físicas (grades) que separam as torcidas. Ainda não sabemos se haverá isso na Arena. Caso sejam colocadas essas divisórias, o TAC assinado nessa terça valerá para os próximos anos", garantiu.
Segundo Menini, as divisórias devem ser eliminadas na Arena, mas o defensor público não recomenda e justificou: "Já tivemos ocorrências em que torcedores da Geral se deslocaram do espaço destinado a eles para confrontar integrantes da Velha Escola", acrescentou.
Conforme o defensor público, o não cumprimento do TAC pode acarretar ao torcedor pena civil e criminal por danos. A punição também se estende à torcida organizada, que pode ficar de 30 a 180 dias impossibilitada de comparecer ao estádio. "Conversamos sobre tudo isso com as torcidas e elas assumiram o compromisso de purificar seus integrantes", explicou.
Geral era indomável
A postura da torcida organizada Geral surpreendeu a Defensoria Pública. "Eles aceitaram os termos e estavam representados por um advogado. Era um grupo considerado indomável por nós, mas já evoluímos nessa questão", disse Igor Menini.
O defensor ainda lembrou que no início das conversas para a criação do TAC, a Geral teve dificuldade para apresentar um líder que falasse pela torcida. "Anteriormente, pessoas diferentes compareciam às reuniões, mas esse obstáculo foi superado", assegurou.
O Grêmio e as torcidas organizadas Geral e Jovem irão se manifestar sobre o conteúdo do TAC, assinado ontem, em até 20 dias. O Ministério Público do Estado, através do promotor de Justiça Gerson Luís Teixeira, argumentou que a instituição e o Grêmio já teriam assinado, em 2003, um Termo de Ajustamento de Conduta. Entretanto, conforme Menini, esse documento não incluiu as torcidas organizadas que não foram contempladas no TAC daquele ano. "O Grêmio pediu para que assinatura ocorresse também junto ao MP. Vamos estudar para ver se isso é possível e seguir adiante com a nova medida. O clube se mostrou totalmente favorável aos termos", revelou.



