Basta cutucar o assunto Gre-Nal que os colegas do restante do Brasil esfregam as mãos para falar a respeito do que, provavelmente boa parte deles e muito provavelmente a totalidade dos gaúchos, considera a maior rivalidade do futebol brasileiro. Justamente para acessar uma visão de fora da 'aldeia' como tratamos as questões ligadas à cultura gaúcha - e Gre-Nal faz parte dela - buscamos a opinião de quem enxerga o jogo, em tese, sem o viés da tensão que o clássico provoca por aqui.
Colocado na esteira de 38 rodadas, a partida deste sábado no Beira-Rio tende a ver diluída a importância em si. No entanto, a lembrança recente das consequências do primeiro, do segundo e do terceiro enfrentamento no primeiro trimestre, permite supor que no quarto duelo entre Grêmio e Inter há muito mais do que simples três pontos em jogo.
Os Gre-Nais do Gauchão estarão de alguma forma presentes neste da 11ª rodada do Campeonato Brasileiro. Da ótica do Grêmio, até a última derrota na Sul-Americana respinga nas decisões a serem tomadas por Luís Castro. Nada muito diferente de Paulo Pezzolano. Assim como o português, o treinador uruguaio do Inter deve tomar suas decisões não pensando somente nas suas ideias e convicções.
Há um contexto maior que pesa bastante no pensar um Gre-Nal. Confira abaixo o que pensam jornalistas de diversas regiões do país quando questionados com a seguinte pergunta: Quem chega melhor para o clássico e por quê?
Marcelo Barreto, apresentador do Sportv, no Rio de Janeiro
O Inter chega melhor - o que, pelo que aprendi sobre o Grenal, faz do Grêmio o favorito. Mas não muito. Essa sensação vem mais de resultados do que de desempenho. Empatar com o São Paulo e vencer o Corinthians deu, mais do que confiança, uma sensação de alívio ao torcedor colorado. Já para os tricolores, a derrota para o Torque, mesmo com time misto, se somou a uma impressão ruim de três rodadas sem vencer no Brasileiro. Os trabalhos dos treinadores ainda não engrenaram, mas Luís Castro chegou com mais prestígio e tem mais material humano à disposição do que Paulo Pezzolano, e por isso chega mais pressionado.
Mariana Capra, repórter da ESPN, em São Paulo
O Inter chega melhor para o Gre-Nal. Apesar de ainda não estar convencendo dentro de campo, vem numa crescente conseguindo bons resultados e somando três vitórias e um empate nos últimos quatro jogos. Pezzolano parece estar encontrando caminhos com as limitações de elenco que tem. Por outro lado, o Grêmio vem enfrentando muitos problemas. Já são quatro jogos sem vencer, o mais recente deles uma derrota para o limitado Montevideo City Torque. Luís Castro chega questionado no cargo e precisa dar respostas. O equilíbrio pode passar pelo fato do Beira-Rio não estar mais fazendo a diferença para o Colorado.
Igor Moura, comentarista Rádio Jornal do Comércio, do Recife
Acredito que o Inter chega com ligeiro favoritismo no jogo. Nada de vantagem grande pelo fato de estarmos falando do maior clássico do Brasil e dos mais equilibrados historicamente falando também. Mas primeiro ponto é o jogo ser no Beira Rio. Segundo pq o momento do Inter é melhor, um time mais confiante. Se o Inter está encontrando seu equilíbrio principalmente na fase sem bola, o Grêmio vive essa fase ruim no seu jogo com bola, evidenciado contra o Remo e Montevideo City Torque.
Ivan Carlos, narrador da Rádio Chapecó, de Chapecó
Vejo a dupla Gre-Nal bem distante de apresentar o futebol que já vimos jogarem. Se nivelam por baixo. O Inter leva a vantagem por jogar em casa. Não sei até que ponto este fator ainda prevalece. Não vejo um melhor do que o outro para este Gre-Nal . Fosse apostar, apostaria em empate.
Fabrício Calazans, repórter da Rádio Itatiaia, de Minas Gerais
O Inter chega melhor é a favorito, embora a tabela mostre eles com a mesma pontuação. O momento do Inter é melhor com vitória fora enquanto o Grêmio não vence há quatro partidas mais o desgaste da derrota na Sul-Americana. Além disso o Inter joga na frente do seu torcedor e esse está ávido por derrotar o rival depois da perda do Gauchão dentro de casa.
Luciano Neves, repórter da Gazeta do Paraná
Raramente você vai ter um clássico em que os dois estejam bem. E tudo muda num curto espaço de tempo. No ano passado, o Inter foi dominante em clássicos no Campeonato Gaúcho e, depois de muito tempo, perdeu um Gre-Nal no Brasileiro que ampliou a crise. Foi uma das derrotas na sequência negativa que quase culminou no rebaixamento. Esse ano, no primeiro clássico, um Colorado soberano contra um Grêmio em frangalhos. Tudo mudou dentro do próprio estadual com o Grêmio sobrando e sendo campeão. Mas para o clássico de sábado, pelo Brasileiro, penso que quem irá entrar em campo em melhor momento é o Internacional. Pezzolano conseguiu uma sequência interessante, com vitórias de peso e com um time, que antes estava bagunçado, um pouco mais arrumado. Enquanto isso, Luís Castro, que já sofreu pressão no ano e conseguiu ameniza-la com o título do Gaúcho, viu ela voltar com os resultados dos últimos jogos.
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