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“Era o momento perfeito para a volta”, diz Assis sobre negociação frustrada de Ronaldinho Gaúcho com o Grêmio em 2011

Craque voltou ao futebol brasileiro para atuar pelo Flamengo

Ronaldinho Gaúcho começou a carreira no Grêmio e quase retornou ao clube em 2011
Ronaldinho Gaúcho começou a carreira no Grêmio e quase retornou ao clube em 2011 Foto : Ricardo Giusti / CP Memória

Quinze anos depois, a negociação frustrada de Ronaldinho Gaúcho para retornar ao Grêmio voltou a gerar grande repercussão na mídia. Em documentário sobre a vida do ex-jogador, lançado na última quinta-feira na Netflix, o empresário e irmão, Assis, recapitulou os bastidores das conversas que iniciaram no final de 2010 e se arrastaram até o início de janeiro de 2011.

“Eu entendi que era o momento perfeito para a volta para o Grêmio. Tinha certeza que seria um sucesso estrondoso”, disse Assis.

De acordo com Assis, a “confusão” se deu a partir de uma entrevista coletiva realizada na Itália, quando Adriano Galliani, dirigente do Milan, disse que preferia negociar Ronaldinho com o Flamengo. O craque estava de saída do clube italiano e negociava o retorno ao Tricolor.

“Marcamos uma conferência de imprensa que era simplesmente para dizer que eles estariam liberando o Ronaldo. E, no meio da conferência, o senhor Galliani solta uma frase que no Brasil ele era Flamengo porque era vermelho e preto como o Milan. Imagina a confusão para cima de mim. Todos achando que eu já tinha um acordo com o Flamengo, por uma frase”, comentou o empresário.

Ao deixar a Itália, Ronaldinho Gaúcho e Assis se hospedaram no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Milhares de flamenguistas foram recepcionar o ex-jogador, animados pelas palavras de Galliani. Segundo Assis, até então, não havia nenhuma negociação com Flamengo. O outro clube interessado, além do Grêmio, era o Palmeiras, treinado por Felipão.

“Tinha 3 mil flamenguistas ou mais embaixo do hotel. Quando o Ronaldo vai na sacada do hotel e vê aquela multidão... Caraca, bicho. O filho dele pequeno, no Rio de Janeiro... Mas, mesmo assim nós não tínhamos nada”, assegurou Assis.

Em Porto Alegre, o Tricolor redigia o contrato acordado verbalmente e tinha muito otimismo em anunciar o ex-camisa 10. A certeza era tanta que caixas de som foram colocadas no Olímpico para a realização de um evento de apresentação de Ronaldinho.

“Aparece o Assis e faz uma exigência. Tinha uma história, um dinheiro, uma dívida, uns R$ 12 milhões, uma dívida questionada na rescisão com o Milan. De repente, o Assis estava querendo incluir isso”, contou Paulo Odone, presidente do Grêmio à época, em depoimento no documentário.

Assis rebateu: “Todos sabiam que ele ainda tinha contrato com o Milan. Tinha mais seis meses de contrato. Eu estava trabalhando para que ele saísse a custo zero”. Em seguida, Odone concluiu: “Assis, nós já discutimos tudo isso, nós já encerramos tudo isso. Tu sabe que nós estamos adiante do suportável financeiramente para fazer. Tem tudo aqui, uma fortuna, vai ganhar bem. Quer fazer mais? Não deu. Assis foi guloso demais”.

No dia 8 de janeiro de 2011, em entrevista coletiva, Paulo Odone anunciou a desistência do Tricolor em repatriar o craque. No mesmo dia, a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, informou ter um acordo verbal com o Milan para contratar Ronaldinho Gaúcho. Em 12 de janeiro, o ex-jogador foi apresentado oficialmente pelo clube carioca e lançou a famosa frase: “Agora, eu sou Mengão”.

“Meus amigos todos eram flamenguistas e são flamenguistas até hoje. Eu já sofria a pressão dentro de casa. Todos os meus amigos: e aí, vai vim? No Rio de Janeiro, sempre tive vontade de morar, desde quando conheci o Rio de Janeiro, muito novo. E ali a possibilidade de jogar no Flamengo foi algo mágico”, disse Ronaldinho.

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