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Família reclama de demora no atendimento a torcedor do Grêmio que faleceu na Arena

Clube alega que todas as tentativas de reanimação foram feitas

Euclides completaria 75 anos na última quarta-feira
Euclides completaria 75 anos na última quarta-feira Foto : Arquivo Pessoal / CP

O que era para ser um domingo de alegria virou um dia triste para a família de Euclides Maciel dos Santos. O torcedor gremista de 74 anos sofreu uma parada cardiorrespiratória e faleceu na arquibancada Superior Leste da Arena, durante o empate do Grêmio com o Palmeiras por 0 a 0, no último dia 20 de setembro. A família da vítima afirma que houve demora dos profissionais para prestar os socorros necessários. O Grêmio nega que tenha havido negligência.

Segundo Jonas Rodrigues dos Santos, um dos netos que estava com o avô no jogo, Euclides desmaiou no início do primeiro tempo. A primeira assistência, dos bombeiros civis, e depois, a dos médicos, alega ele, demorou muito tempo. “Foram de 15 a 20 minutos ali para chegar pelo menos os bombeiros. E uma meia hora, 40 minutos para chegar o pessoal qualificado, com o desfibrilador”, relata Jonas em contato com o CP.

Mesmo com a chegada dos bombeiros, foi a torcedora Elvia Calixto, técnica em enfermagem, que prestou os primeiros socorros. De acordo com ela, o despreparo da equipe de bombeiros civis era “flagrante”, a ponto de a RCP (Reanimação Cardiopulmonar) ser feita de forma errada. “Os bombeiros não iniciaram atendimento. Já estava em parada cardíaca. Eu iniciei a massagem. Ele estava em parada cardíaca e em gasping (respiração anormal, lenta e profunda). Depois, uma bombeira estava fazendo a RCP de forma errada. Não era eficaz para a reanimação. Um despreparo surreal”, diz Elvia.

A profissional acrescentou que os bombeiros civis falaram ter apenas um DEA (Desfibrilador Externo Automático) na Arena, que estava do outro lado do campo. Quando o aparelho chegou, Euclides já tinha falecido. “Com acima de 1,5 mil pessoas já tem de haver um DEA. Tinha 50 mil torcedores e um DEA, segundo os bombeiros do local. Houve negligência no atendimento. O suporte avançado demorou demais. Talvez a vida não tivesse sido perdida. O jogo teria que ter sido parado. Houve muita negligência nisso. Foi desumano o que aconteceu”, ressalta.

“O desfibrilador chegou e então tentaram os choques. Antes de levar para dentro também já haviam tentado, mas não deu muito sinal. Ficaram tentando injetar adrenalina também, pelo que a enfermeira torcedora (Elvia Calixto) me sinalizou. Mas eu, sem conhecimento médico prévio, estava olhando os batimentos e não havia. Na minha visão, ele já tinha ido. Mas enfim, ficaram tentando ali”, completa Jonas.

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Os posicionamentos

Em nota enviada à reportagem, a Unimed disse ter prestado apoio imediatamente após a vítima ter sofrido parada cardiorrespiratória. A empresa garantiu ter os recursos necessários para eventos como partidas de futebol.

“A estrutura assistencial disponibilizada para a partida estava acima das exigências previstas na legislação. O estádio contava com seis equipes de suporte avançado (UTIs Móveis), compostas por seis médicos, seis enfermeiros e seis técnicos de enfermagem condutores, um médico regulador no Centro de Comando Operacional, além de ambulâncias e equipamentos adequados para o atendimento de emergências, incluindo desfibriladores e cardioversores”, diz parte do comunicado.

Já o Grêmio, também em nota, reforçou que o torcedor recebeu os primeiros socorros dos Bombeiros Civis e, na sequência, foi atendido pela Unimed: “A equipe da Unimed, empresa contratada para prestar cobertura médica no estádio, deu prosseguimento ao atendimento na arquibancada; na sequência, removeu o torcedor ao saguão do respectivo nível, seguindo com as tentativas de reanimação. Apesar dos esforços empregados, não foi possível reverter o quadro clínico do paciente, que evoluiu a óbito”.

Euclides completaria 75 anos na última quarta-feira. “Eu estava ao lado da minha prima, tive que acudi-la, que é menor também. Foi um desespero de não saber o que fazer, e os torcedores tentando fazer alguma coisa até chegar o atendimento. Vi o posicionamento do Grêmio e da Unimed dizendo que fizeram tudo o que podiam, mas nós sabemos que não. Eles escreveram que havia desfibriladores e aparelhos à disposição, mas nós sabemos que demorou para chegar. Foi um descaso”, diz o neto Jonas.

Nota na íntegra do Grêmio

“Com profundo pesar, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense lamenta o falecimento de um torcedor de 74 anos, ocorrido no dia 20 de setembro, durante a partida contra o Palmeiras, na Arena do Grêmio.

O torcedor foi encontrado em situação de parada cardiorrespiratória (PCR) e, imediatamente, recebeu o primeiro atendimento da equipe de Bombeiros Civis presente no nível em que ele se encontrava.

A equipe da Unimed, empresa contratada para prestar cobertura médica no estádio, deu prosseguimento ao atendimento na arquibancada; na sequência, removeu o torcedor ao saguão do respectivo nível, seguindo com as tentativas de reanimação. Apesar dos esforços empregados, não foi possível reverter o quadro clínico do paciente, que evoluiu a óbito.

O Grêmio presta suas sinceras condolências à família e aos amigos do torcedor.”

Nota na íntegra da Unimed

“A Unimed Porto Alegre informa que, durante a partida entre Grêmio e Palmeiras, realizada no último domingo (20), na Arena, o SOS Unimed prestou atendimento a um torcedor que sofreu uma parada cardiorrespiratória (PCR), situação caracterizada pela interrupção súbita da atividade cardíaca e respiratória.
As equipes de emergência realizaram, de forma imediata, todas as medidas previstas nos protocolos de suporte avançado de vida, utilizando os recursos assistenciais indicados para esse tipo de ocorrência.

Apesar dos esforços empregados e de todas as tentativas de reanimação realizadas pelas equipes envolvidas, não foi possível reverter o quadro clínico do paciente, que evoluiu para óbito.

A Cooperativa reafirma que todos os recursos previstos para eventos desse porte estavam disponíveis em quantidade e prontidão, garantindo uma resposta assistencial imediata e alinhada aos protocolos estabelecidos para situações de emergência.

Todas as equipes envolvidas no atendimento são treinadas e atuam de acordo com protocolos assistenciais preconizados pela American Heart Association (AHA), referência internacional em atendimento de emergências cardiovasculares e ressuscitação cardiopulmonar.

A estrutura assistencial disponibilizada para a partida estava acima das exigências previstas na legislação. O estádio contava com seis equipes de suporte avançado (UTIs Móveis), compostas por seis médicos, seis enfermeiros e seis técnicos de enfermagem condutores, um médico regulador no Centro de Comando Operacional, além de ambulâncias e equipamentos adequados para o atendimento de emergências, incluindo desfibriladores e cardioversores.

A Unimed Porto Alegre manifesta solidariedade e seus mais sinceros sentimentos aos familiares e amigos do torcedor neste momento de dor.”

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