O dinamismo do futebol consagrado pelo ex-presidente Rafael Bandeira dos Santos encontra novamente sentido no momento que se avizinha no Grêmio. Em menos de uma semana, três competições em disputa podem virar somente uma. Do mesmo modo, se avançar contra o Mirassol na Copa do Brasil, o time estará entre os oito melhores do torneio e com ânimo renovado para sair da zona do rebaixamento do Brasileirão. O fato é que o cenário e o contexto atual lembram a fala de um nome gritado por parte da torcida na Arena na última quarta-feira e que tem a ver com atual situação.
"A gente não tem grupo para disputar três competições ao mesmo tempo do jeito que a gente vem disputando. " A frase de Renato Portaluppi após empate contra Operário na 3ª fase Copa do Brasil, em 2024, abria brechas para interpretações. Exposição dos jogadores, críticas à diretoria, vacina ou a autenticidade costumeira do técnico que, quando teve elenco melhores na mão e tripla disputas, costumava brincar assim : "Quem muito quer nada tem".
Desde a chegada de Luís Castro, houve uma significativa mudança no vestiário gremista. Não somente de forma de gerir o local, mas de nomes mesmo. Foram mais de 20 saídas e tantas outras chegadas, como a do meia croata Filip Krovinovic que será apresentado hoje. As três derrotas e dois empates após a Copa do Mundo, no entanto, se somaram à insegurança em relação à equipe ainda antes da parada. E desta forma, o segundo semestre divide opiniões, até mesmo de quem conhece bem o ‘ambiente sagrado’ de um vestiário.
"Estar em três competições ao mesmo tempo sempre gera muito desgaste não somente físico, muito desgaste emocional. Geralmente estar em somente em uma competição é depositar toda energia nela e te dá uma vantagem significativa sobre quem está envolvido em outras. Por outro lado, abrir mão de tentar dentro do projeto desportivo do clube a busca pela conquista de uma competição dentro de um ano instável também pode afastar o torcedor do time", diz o técnico Roger Machado, que sofreu com algo parecido no Inter de 2025.
Durante um bom tempo usando a braçadeira de capitão da última geração vitoriosa no clube, Maicon fala como ex-jogador e reconhece a espécie de encruzilhada nessas horas: "Hoje a situação que o Grêmio se encontra para não correr risco de rebaixamento, o ideal é se concentrar apenas no Brasileiro. Só que é impossível você ir pra uma competição que o Grêmio tem tradição que é a Copa do Brasil e jogar para perder. Isso só iria aumentar ainda mais a pressão sobre os jogadores. Então tem que viver cada jogo independentemente da competição, o Grêmio tem que jogar pra ganhar todos os jogos."
A Copa do Brasil tem um asterisco que nesse particular, importa menos. Premiação milionária fica em segundo plano quando o que está em jogo é a possibilidade de mergulhar ou escapar de uma crise. "É preciso o Grêmio ter a grandeza do Grêmio. Deve ter participação nas duas competições com força total. A Copa do Brasil é uma competição que o Grêmio pode tentar ganhar porque são jogos de mata-mata e nossa tradição é neste tipo de competição. Com relação ao Campeonato Brasileiro, o Grêmio tem time para ter melhores resultados e fazer uma competição de recuperação. Pensar em abandonar a Copa do Brasil para focar no Brasileirão seria uma vergonha para a instituição Grêmio", opina o ex-vice de futebol, Antônio Vicente Martins, opinião bem parecida ao do ex-conselheiro e também advogado, Homero Bellini Junior:
"Já caímos fora da Sul-Americana que era o título que eu mais ambicionava. Um clube da estrutura do Grêmio, mesmo com as dificuldades, não pode abrir mão de competição. Se passar do Mirassol, estará a cinco jogos de ser campeão. O Grêmio tem que se reestruturar no Brasileirão, mas sem abrir mão da Copa do Brasil sob nenhuma hipótese”.