O torcedor do Grêmio que cometeu suposto ato racista no Gre-Nal 455 foi ouvido pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira. Em depoimento ao delegado Vinícius Nahan, responsável pelo caso, o homem de 32 anos admitiu ter feito gestos que imitavam um macaco, porém disse não ter tido a intenção de cometer racismo.
“O interrogado estava tranquilo e acompanhado por advogado. Ele admitiu que os gestos que fez fazem menção a um macaco, mas negou a intenção racista. Ele disse que o gesto foi feito para provocar a torcida colorada e, além disso, declarou que a atitude foi infeliz”, relata o delegado, titular da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância, em contato com o CP.
Segundo Nahan, o suspeito possui antecedentes por tentativa de homicídio, tráfico de drogas, roubo e provocação de tumulto em estádio de futebol. A polícia, agora, pretende ouvir mais uma testemunha e analisar as câmeras de segurança enviadas pelo Grêmio para concluir o inquérito.
Além do crime de racismo, o homem é investigado por possível crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), já que praticou a conduta em frente ao filho de 8 anos, expondo a criança a uma situação de “vexame ou constrangimento”.
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O caso e a posição do Grêmio
A manifestação supostamente racista aconteceu após o clássico na Arena, no último domingo, que terminou empatado por 1 a 1. Em vídeo que circula nas redes sociais, o torcedor aparece dirigindo-se à torcida do Inter com gestos imitando um macaco.
Na última terça-feira, o Grêmio informou, em nota oficial, que identificou o torcedor. Segundo o clube, o homem é sócio da modalidade Diamante e foi suspenso preventivamente do Quadro Social, tendo seu cadastro bloqueado e ficando, consequentemente, impossibilitado de frequentar a Arena.
Confira, abaixo, a nota oficial do Tricolor:
“O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense informa que concluiu o processo de identificação do torcedor acusado de cometer ato racista após o Grenal do último domingo. Trata-se de um sócio torcedor da modalidade diamante, que já foi suspenso preventivamente do Quadro Social e teve seu cadastro bloqueado, estando impossibilitado de frequentar a Arena do Grêmio.
Além disso, suas informações foram remetidas ao Conselho Deliberativo, para abertura de processo junto à Comissão de Ética e Disciplina e às autoridades competentes para completa investigação do caso.
O Grêmio, enquanto Clube de Todos, reafirma seu compromisso antirracista e sua posição contrária a qualquer tipo de discriminação.”