O ano de 2005, pelo desfecho que reservou ao Grêmio na Batalha dos Aflitos, por si só é histórico. Mas agora, quase duas décadas depois, quando está prestes a anunciar o português Pedro Caixinha, aquele ano ressurge na pauta gremista por uma curiosidade. A temporada marca também a última vez em que um estrangeiro comandou o time: Hugo de León.
O uruguaio, capitão da primeira Libertadores e do Mundial de 1983, retornava ao clube com a ingrata missão de trabalhar no cenário pós-queda para a segunda divisão e portanto, com rasos recursos. A gestão Paulo Odone tratou de formar um elenco às pressas e Mário Sérgio, o diretor da época, viu no antigo companheiro de time alguém para liderar o vestiário. A ideia não se mostrou existosa e depois das eliminações no Gauchão e na Copa do Brasil, o treinador foi demitido.
Mano Menezes assumiu às vésperas do começo da Série B e só saiu ao final de 2007 com status do time e dele próprio em alta. Se o período de quase 20 anos for dividido em dois, uma curiosidade chama a atenção. Depois de apostar em 12 nomes no primeiro recorte, o segundo mostra a repetição de praticamente três deles.
Depois de Mano, 2008 começou com Vágner Mancini demitido invicto após cinco jogos. Celso Roth assumiu e quase ganhou o Brasileirão. No ano seguinte não repetiu a dose e deu lugar a Paulo Autuori. Em 2010, Silas mesmo campeão gaúcho, foi trocado por Renato Portaluppi. A primeira passagem do ex-atacante como técnico valeu a renovação de contrato, mesmo a contragosto de Paulo Odone. A relação não venceu o segundo semestre da temporada seguinte. Julinho Camargo foi meteórico e Roth voltou para encerrar o ano.
A temporada 2012 começou com Caio Júnior, mas marcou a chegada de Vanderlei Luxemburgo. Personagem de duelos emblemáticos contra o Grêmio nos anos 1990, ganhou a torcida a ponto de ficar para montar o mais caro elenco dos últimos tempos. Atritos com a diretoria, porém anteciparam sua saída no meio de 2013. Renato novamente foi chamado, mas sem recursos, Fábio Koff não conseguiu mantê-lo para 2014.
Veio então Enderson Moreira, aposta mais austera. No entanto, não engrenou e dias depois do 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo, foi a vez de Luiz Felipe Scolari, então ex-técnico da Seleção Brasileira, voltar para o Grêmio. Felipão começou bem, ficou para 2015, mas inúmeras saídas de jogadores enfraqueceram o grupo. Roger Machado foi o nome escolhido e o treinador emergente deu resposta imedita. Ficou até a reta final de 2016 com altos e baixos. Após sua saída, era Renato quem reapareceria na Arena.
A partir desse período, de 2016 a 2024, o único nome diferente tentado por diferentes diretorias foi Tiago Nunes em 2021. Renato comandou o time em uma era vitoriosa de títulos regionais, nacionais e internacionais. O ano que marcaria um novo rebaixamento teve ainda as participações novamente de Felipão e Mancini.
Mancini foi trocado por Roger logo na largada de 2022. E na reta final da Série B, ele foi trocado de novo por Renato. Ou seja, o trio Roger, Renato e Felipão dominou a casamata do Grêmio desde 2016.