Hiltor Mombach: paranóia com a arbitragem
"A corrupção eu quis deixar bem claro que não é só a ação em dinheiro, mas os presentes também", destacou Gutemberg. "É preciso concordar que o presente mais importante para um juiz é a escala de jogos. Funciona daquele jeito, ou cumpre o que determino, ou você não vai mais receber jogos para fazer", argumentou o ex-juiz.
Mais cedo, o presidente da Associação Nacional dos Árbitros (Anafe), Marco Antonio Martins, informou que irá acionar a Justiça para "defender a arbitragem nacional e exigir que Gutemberg mostre provas da sua acusação".
O ex-árbitro respondeu que não teme esse tipo de ação. "Eles sabem que tenho um dossiê com mais de mil páginas, que cada vez aumenta mais", enfatizou. "Gostaria de deixar mensagem para o presidente da Anafe. Para ele se sensibilizar pelos grandes problemas que a arbitragem nacional vem passando. Poderia, ao invés de acionar na Justiça, vir me perguntar e ler o dossiê", desafiou Gutemberg. "Estou de saco cheio disso e, por essa razão, decidi parar", disparou.
Problemas desde 2007
Gutemberg Fonseca relata que existem irregularidades desde de 2007. "Eu venho falando desde 2007. Tenho vários processos e provas com membros da comissão da CBF que demonstram isso. Em 2010, fui o árbitro que mais apitei no regional e, em 2011, não participei de qualquer jogo no Carioca", salientou."Eu condeno este procedimento, assim como a artimanha do Sérgio Correa: essa obrigatoriedade de ligar após definida a escala para receber instruções."
Martins, por sua vez, garantiu que a prática foi instituída há mais tempo, como procedimento para qualificar a arbitragem. "Ligar para o Sérgio Corrêa, ou outro diretor de arbitragem, é para trocar informações sobre o jogo. Nunca, em nenhum momento, em 11 anos nos quais apitei, escutei declaração para favorecer A ou B", frisou. "Para mim Gutemberg é um despreparado. Não era para ter chegado onde chegou e saiu como deveria ser, pela porta dos fundos."