Esportes

Há precedente de brigas domésticas na casa de Pistorius, diz promotor

Atleta sul-africano foi acusado pelo assassinato da namorada

Pistorius teria confundido a modelo Reeva Steenkamp com um ladrão
Pistorius teria confundido a modelo Reeva Steenkamp com um ladrão Foto : Waldo Swigers / AFP
A hipótese de que Oscar Pistorius – o primeiro atleta deficiente físico a ter disputado uma edição dos Jogos Olímpicos, no ano passado, em Londres – teria matado acidentalmente a namorada na madrugada desta quinta-feira, na Pretória, está sendo descartada pela polícia local. De acordo com uma fonte policial, o promotor alegou "precedentes de denúncias por brigas domésticas na residência do acusado" e pretende negar a possibilidade de libertação sob fiança.

O atleta "foi detido e acusado de assassinato", segundo o porta-voz da polícia de Pretória, Katlego Mogale, e comparecerá na sexta-feira a uma audiência com um juiz na capital da África do Sul. No princípio, foi levantada a versão de que Pistorius teria confundido a namorada, a modelo Reeva Steenkamp, de 30 anos, com um ladrão. Ela levou quatro tiros e morreu na hora, segundo a polícia. 

"A única pessoa que pode contar o que aconteceu é o próprio Oscar", afirmou o pai do atleta, Henke Pistorius, à AFP. "Neste momento, ainda não temos muitas informações. Não o vi, está com a polícia e o caso está nas mãos das autoridades. Evidentemente estamos chocados".

Pistorius entrou para a história do atletismo mundial nos Jogos Olímpicos de Londres ao ser o primeiro campeão paralímpico a participar de uma edição de Jogos Olímpicos. O atleta chegou às semifinais de sua prova favorita, os 400 metros. Semanas mais tarde, conquistou o ouro na mesma prova nos Jogos Paralímpicos. Quatro anos antes, em Pequim-2008, Pistorius conquistou três medalhas de ouro: nos 100, 200 e 400 metros.

Pistorius nasceu sem o perônio e foi submetido a uma operação de amputação abaixo dos joelhos aos 11 meses. Ele aprendeu a caminhar com próteses e sempre teve o desejo de enfrentar atletas sem deficiência em competições. Optou pelo atletismo aos 16 anos, depois de ter sofrido uma lesão em uma partida de rúgbi.

Seu preparador físico, Jeannie Brooks, explicou à AFP em agosto do ano passado que trabalhou com Pistorius durante seis meses antes de perceber que ele tinha as duas pernas amputadas. Pistorius, recordou Brooks, tinha 16 anos quando se inscreveu com outros adolescentes em um grupo de preparação física, mas não disse nada sobre sua deficiência. "Quando começou, estava no início do inverno e os garotos sempre vinham de calças compridas. Tinha exatamente a mesma velocidade dos outros, nunca apresentou uma desculpa para evitar um exercício, dava tudo", recordou.

"Trabalhávamos duro para melhorar a explosão e uma vez, fazendo um exercício, vi que não abaixava tanto como os outros", lembrou Brooks. "Eu disse: 'Escuta, você tem que abaixar um pouco mais' e ele respondeu: 'Escuta, isto é o máximo que posso fazer'. Perguntei o motivo e ele falou: 'Vou te contar a minha história...".

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