Aos 12 anos, ele testemunhou uma das maiores barbáries já cometidas em guerras e decidiu que seria um dos muitos responsáveis por reconstruir o país. Agora, aos 80, ainda sente uma obrigação com os que se foram na tragédia: “Perdi muitos amigos naquele dia e nos seguintes. É como se eu precisasse viver tudo o que eles não tiveram oportunidade de viver”.
Do período seguinte à II Guerra Mundial, Sadao lembra de todo o tipo de necessidades pelas quais os japoneses passaram. Lembra também de fazer parte de uma geração especial. “Faltava comida, não tínhamos nada. Mas fomos de uma geração que trabalhou muito para reconstruir o Japão”, afirma ele, que se tornou bombeiro tempos depois, na mesma época em que praticava basquete de forma amadora.
Sadao só foi parar de apagar incêndios aos 60 anos de idade. Tão logo se aposentou, pensou em algo para continuar em forma e encontrou nas maratonas a resposta. “A melhor coisa para manter a saúde são as corridas de média e longa distância”, ensina o japonês.
Correndo por si e pelos amigos que se foram em 1945, Sadao começou a colecionar conquistas. Na passagem por Porto Alegre para a disputa do Mundial Masters de Atletismo, amealhou seis medalhas, sendo três delas de ouro (8km cross country, 10.000m e 5.000m), duas de prata (1.500m e 800m) e uma de bronze (4x400m). Os planos são de continuar nas pistas pelo menos por mais dez anos. Para quem aos 80 anos treina seis vezes por semana, é mais do que provável que atinja o objetivo.